Situação Crítica de Medicamentos na RMS
A escassez de medicamentos de alto custo tem gerado intensos debates sobre a saúde pública na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) tomou ciência da gravidade da situação e, segundo informações, já vinha monitorando casos similares anteriormente. Contudo, um acompanhamento mais rigoroso será realizado a partir de agora.
O promotor Thiago Ramos destacou uma questão recente: a troca do operador logístico da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo (SES-SP), decisão esta oriunda de uma determinação judicial. Em resposta a essa crise, o MPSP planeja se reunir com a Secretaria da Saúde para obter esclarecimentos sobre essa mudança e exigir soluções rápidas, dada a urgência do problema.
Adicionalmente, o promotor Ramos mencionou que, em novembro de 2025, o MPSP havia solicitado a criação de um aplicativo destinado a facilitar o agendamento da retirada de medicamentos. A proposta visava melhorar o acesso da população a esses tratamentos essenciais. No entanto, o foco da secretaria mudou, priorizando a descentralização das farmácias de alto custo para que a distribuição fosse feita diretamente pelos municípios.
Infelizmente, a continuidade desse processo foi adiada, segundo a SES-SP, devido à falta de adesão dos municípios envolvidos.
Medicamentos em Falta nas Prefeituras
A Prefeitura de Piedade, um dos municípios da RMS, informou que 10 medicamentos de alto custo estão em falta. Entre eles estão o Ciprofibrato 100mg, Fenofibrato 250mg retard e Clozapina 100mg, além de injetáveis como Etanercepte e Rituximabe. A secretária municipal de Saúde, Aparecida Rodrigues dos Santos, ressaltou que a situação é crítica, afirmando que 37 medicamentos de alto custo tiveram entregas parciais, um problema que persiste desde o início de 2026. O relato é corroborado por outros 19 municípios do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Sorocaba, que enfrentam dificuldades semelhantes.
A falta de informações por parte do Estado também tem sido um desafio. A secretária de Saúde informou que a comunicação com a DRS Sorocaba tem sido constante, mas até agora não houve resposta sobre a situação.
Na Prefeitura de Salto, outra localidade da RMS, a equipe de saúde buscou medicamentos conforme um agendamento feito na segunda-feira (26). Contudo, não havia informes sobre mudanças na retirada, o que cria incertezas para a população.
Experiências de Pacientes na RMS
Pacientes da RMS têm relatado dificuldades para acessar medicamentos essenciais. Uma mulher, que optou por não se identificar, comentou que faz uso de uma medicação injetável mensal. Ela recebeu a última dose em dezembro, já com um atraso significativo, uma vez que a dose de novembro estava indisponível.
Orientada a buscar o medicamento na farmácia, ao chegar, foi informada de que o remédio ainda não havia chegado, sendo instruída a retornar no próximo mês, o que pode comprometer seu tratamento.
Um outro paciente em Salto esteve na unidade no dia 27 para retirar um medicamento que está em falta há dois meses e recebeu a informação de que a previsão de entrega é para março.
Resposta do Governo Estadual
Em nota, a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo (SES-SP) anunciou que a Coordenadoria de Assistência Farmacêutica (CAF) confirmou o abastecimento integral da Farmácia de Medicamentos Especializados de Sorocaba. De 48 municípios do DRS, 31 já retiraram os malotes de medicamentos de alto custo.
A SES-SP ainda afirmou que Piedade recebeu todos os itens do programa Dose Certa na manhã da terça-feira (27) e que Salto também pode retirar seu malote. O município de Votorantim também está agendando a retirada, conforme a nota.
Porém, a SES-SP não respondeu aos questionamentos sobre o abastecimento total da farmácia de alto custo do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), a falta de medicamentos em outras cidades da RMS, quantos pacientes ainda aguardam medicações e o que está sendo feito para resolver a situação, deixando muitas dúvidas e preocupações entre os cidadãos.


