Uma Nova Alternativa Ecológica
Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste, localizada em São Carlos, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), fizeram uma descoberta promissora ao criar um biofilme a partir da pele do tambatinga, um peixe amazônico. Este material inovador promete ser uma alternativa sustentável para embalagens de alimentos, minimizando o uso de plásticos derivados do petróleo.
A espécie tambatinga resulta do cruzamento entre o tambaqui (Colossoma macropomum) e a pirapitinga (Piaractus brachypomus). Reconhecida por seu rápido crescimento e por ser uma fonte rica em colágeno, a pele do tambatinga oferece propriedades únicas. Sua origem tropical pode contribuir para um teor elevado de aminoácidos, potencializando as características funcionais e estruturais da gelatina extraída.
Esse projeto foi apoiado pela FAPESP, dentro do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC), parte dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da Fundação. O biofilme é uma proposta para substituir, pelo menos em parte, os filmes plásticos convencionais utilizados em embalagens, que geralmente são nocivos ao meio ambiente.
Segundo Paulo José do Amaral Sobral, engenheiro de alimentos e professor da USP em Pirassununga, “Nosso objetivo é desenvolver filmes à base de biopolímeros que possam ser aplicados em embalagens alimentícias e que reduzam o impacto ambiental causado pelo acúmulo de plásticos.” Para essa pesquisa, Sobral contou com a colaboração de Manuel Antonio Chagas Jacintho e Fernanda Ramalho Procopio, também da Embrapa.
Processo de Produção do Biofilme
O primeiro estágio da pesquisa envolveu a limpeza das peles dos peixes e a extração da gelatina, que foi realizada utilizando água quente e ácido acético para remover impurezas. Em seguida, os filmes foram elaborados com a mistura, utilizando uma proporção de 2 gramas de gelatina para cada 100 gramas de solução para a formação do filme. O resultado foi um material transparente e flexível, com superfícies uniformes, apresentando características que o tornam promissor para o mercado de embalagens.
Os testes mostraram que o biofilme é resistente e possui uma excelente capacidade de bloquear raios ultravioleta, além de uma permeabilidade ao vapor de água inferior em comparação a outros filmes de gelatina disponíveis no mercado. Essa inovação evidencia o potencial da pele de peixe, frequentemente considerada um resíduo industrial, como uma matéria-prima renovável e valiosa na produção de biopolímeros sustentáveis.
Desafios e Futuro da Pesquisa
Apesar dos resultados positivos, o novo material ainda enfrenta um desafio: sua sensibilidade à umidade. Sobral explica que, “por enquanto, a aplicação do biofilme está restrita a produtos desidratados, como nozes e castanhas”. Isso indica que novos estudos são necessários para aprimorar as propriedades do biopolímero e expandir suas aplicações.
A continuidade das pesquisas é vital para transformar a pele do tambatinga em um material viável para embalagens alimentícias, bem como em produtos farmacêuticos e biomédicos. Essa iniciativa não apenas agrega valor ao setor da aquicultura, mas também promove uma cadeia produtiva sustentável e responsável. Em um mundo onde a preocupação ambiental cresce, inovações como essa podem ser essenciais para um futuro mais sustentável.


