Manutenção da Selic e Seus Efeitos no Mercado Imobiliário
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, uma medida que impacta diretamente o mercado imobiliário. A taxa básica de juros é um elemento fundamental que influencia todo o sistema financeiro, especialmente quando se trata de avaliar a viabilidade de um negócio, em função dos juros.
De acordo com Paulo Ricardo de Oliveira, economista e especialista em gestão de risco e proteção financeira, “a Selic é a referência para praticamente todos os empréstimos e financiamentos no Brasil, definida pelo Banco Central”. Ele explica que a Selic funciona como o “preço do dinheiro” por um ano, e a partir dela, os bancos definem suas taxas para demais operações.
Além de manter a taxa, há uma expectativa crescente de que ela comece a cair nos próximos meses. José Augusto Viana Neto, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), prevê que a Selic pode iniciar uma trajetória de redução em março. “Quem está comprando um imóvel financiado agora pode esperar taxas de juros mais baixas a partir de março ou maio, o que é uma notícia muito positiva para os compradores”, comenta.
Impacto da Selic no Crédito Imobiliário
A taxa Selic tem um papel crucial na dinâmica do crédito imobiliário. Viana Neto aponta que um dos maiores obstáculos para os compradores é a comprovação de renda, uma vez que os bancos estabelecem que não mais de 30% da renda familiar deve ser comprometida com as prestações. Com a Selic oscilando, os juros podem subir ou cair, afetando diretamente a capacidade de compra.
“Muitas pessoas estão em aluguel, mas não conseguem comprovar uma renda mais alta, mesmo que o custo do aluguel muitas vezes se aproxime ou ultrapasse o valor de uma prestação de financiamento”, observa Viana Neto.
Segundo Paulo Ricardo, quando a Selic está alta, os financiamentos imobiliários se tornam mais caros. Os bancos aumentam suas taxas de crédito, elevando o valor das parcelas e do total do imóvel. Isso resulta em menos famílias aptas a obter crédito ou que se sintam seguras para financiar, o que pode levar a um aumento na demanda por aluguel, especialmente entre a classe média que depende de financiamentos.
Um Ciclo de Queda da Selic e Suas Consequências
Por outro lado, quando a Selic entra em um ciclo de queda, o cenário muda. Neste caso, o crédito imobiliário tende a se tornar mais acessível, e mais pessoas podem optar por abandonar o aluguel em favor da compra. Isso gera um aumento na demanda por imóveis e pode até impulsionar os preços em certos mercados.
O Mercado Imobiliário em Sorocaba
A situação não é diferente em Sorocaba, onde o mercado imobiliário demonstra variações sazonais significativas. No mês de dezembro de 2025, houve uma queda na procura por compra e locação de imóveis, um fenômeno comum durante o recesso de fim de ano e férias. Nesse período, a venda de imóveis residenciais usados caiu 4,61%, e as locações apresentaram uma queda de 18,9% em relação a novembro.
Apesar dessa retração temporária, o desempenho anual do mercado foi positivo. Sorocaba e região registraram um aumento de 70,7% nas vendas de imóveis e uma impressionante alta de 97,2% nas locações. Segundo o Creci-SP, essa evolução é atribuído a vários fatores, como a intensa atividade industrial da região, geração de empregos formais e a busca por propriedades que ofereçam um melhor custo-benefício.


