Novas Diretrizes e Acompanhamento Policial nas Escolas
A partir desta segunda-feira (2), as escolas estaduais Professor Lauro Sanchez, localizada na Vila Carol, e Professor Jorge Madureira, no Jardim Guaíba, começam o ano letivo sob a nova gestão do modelo cívico-militar. A mudança traz consigo uma série de regras que visam disciplinar o comportamento dos estudantes, além da presença de policiais militares aposentados atuando como monitores. Um dos principais desafios enfrentados nesse início de aula é a entrega dos novos uniformes, que ainda não chegaram. Apesar de a utilização do novo kit ser obrigatória, os alunos retornarão às aulas vestindo os uniformes do ano anterior, devido à demora na entrega por parte da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc).
As direções das duas instituições asseguraram que não haverá penalizações para os alunos nesse começo de ano, já que a responsabilidade pela falta dos novos uniformes recai sobre o governo estadual. O kit, que é fornecido gratuitamente, inclui camiseta, blusão, calça e bermuda, conforme estipulado na lei que instituiu o programa em São Paulo. Segundo informações do site Metrópoles, esse problema com a entrega dos uniformes não é exclusivo de Sorocaba, atingindo também escolas em pelo menos três cidades da Grande São Paulo. A empresa responsável pela confecção dos materiais, Infinit Comércio de Produtos Sustentáveis Ltda., ganhou uma licitação de R$ 17,4 milhões para o fornecimento.
Monitoramento Militar e o Novo Padrão Escolar
Além das questões relativas ao vestuário, o novo sistema escolar introduz a figura dos policiais aposentados como monitores. Na escola Professor Lauro Sanchez, um coronel e um major da PM atuarão como supervisores, enquanto na unidade Professor Jorge Madureira, um major e um tenente estarão à frente das atividades. Vale ressaltar que os militares não desempenham funções pedagógicas, de acordo com a Seduc, e recebem um salário de R$ 6.034 por uma carga horária de 40 horas semanais, além de continuarem a receber suas aposentadorias. No total, 208 militares foram contratados para atuar como monitores e coordenadores nas diversas unidades escolares.
Conforme a Seduc, a função dos militares é apoiar a implementação de valores cívicos como dedicação, respeito, honestidade e excelência. “É importante destacar que esses valores não são exclusivamente militares, mas sim princípios cívicos que devem ser comuns em qualquer ambiente de trabalho”, enfatiza a Secretaria. Todos os militares envolvidos no programa passarão por avaliações periódicas, realizadas por diretores e alunos, para determinar a continuidade no cargo.
Regras de Comportamento e Estilo dos Estudantes
O novo regimento das escolas estabelece um conjunto rigoroso de normas estéticas e de comportamento. Os estudantes devem seguir um padrão que proíbe cortes de cabelo raspados, colorações chamativas e o uso de acessórios como piercings. Além disso, o regulamento veda a presença de namoros dentro ou nas proximidades da escola. Também há restrições específicas quanto ao uso de bonés e capuzes.
O regimento interno impõe punições para estudantes que introduzirem ou distribuírem materiais considerados inapropriados. No entanto, a definição do que se enquadra como tal ainda não foi esclarecida. O cumprimento das normas será acompanhado através de um sistema de créditos que prevê descontos conforme a gravidade das infrações. Essas avaliações serão realizadas em conjunto pelos monitores militares e pela equipe gestora da escola.
Currículo e Desempenho Educacional
A Seduc informou que as escolas cívico-militares seguem a matriz curricular do Currículo Paulista, respeitando também as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular. “Todas as unidades da rede estadual trabalham com os mesmos indicadores de desempenho, incluindo Saeb, Saresp, frequência escolar e o número de ocorrências registradas no Conviva,” detalhou a secretaria. Com isso, a expectativa é que, mesmo em meio a mudanças estruturais e operacionais, os alunos continuem a receber uma educação de qualidade, alinhada às exigências educacionais do estado.


