Uma Vida Paralela ao Futebol Americano
No último domingo, o mundo do futebol americano parou para assistir ao Super Bowl, um espetáculo que também envolve uma equipe de árbitros que desempenham funções em diversas áreas profissionais. Um dos árbitros, Shawn Smith, por exemplo, atua como gerente de uma filial de uma empresa de planos de saúde em Detroit durante a semana. Essa é apenas uma das muitas histórias de árbitros que equilibram suas vidas pessoais e profissionais com a exigente rotina da NFL.
Ben Austro, fundador do Football Zebras — um site especializado em acompanhar os árbitros da NFL — explica que esses profissionais são contratados em regime de meio período, o que lhes permite ter outras ocupações. “Você encontrará advogados, professores e empreendedores que tiram um tempo do trabalho para apitar”, afirma Austro. A seleção dos árbitros é feita de maneira rigorosa, a partir do futebol americano universitário, onde eles são observados por uma vasta rede de olheiros. Além de serem treinados, esses árbitros dedicam entre 40 e 50 horas por semana à preparação para suas atuações.
Desafios e Críticas no Campo
Embora sejam altamente qualificados, os árbitros da NFL não estão imunes às críticas, que muitas vezes são intensas, especialmente em jogos de grande visibilidade. Em uma declaração controversa, Puka Nacua, jogador dos Los Angeles Rams, fez uma crítica aos árbitros, chamando-os de “os piores” e insinuando que eles buscam atenção na mídia. Essa afirmação resultou em uma multa de US$ 25 mil para o jogador. Contudo, outros atletas como Aaron Rodgers têm uma visão diferente, defendendo que os árbitros merecem melhores condições de trabalho. “Seria útil se todos trabalhassem em tempo integral”, comentou Rodgers, reconhecendo a pressão que esses profissionais enfrentam ao tomar decisões em tempo real.
Por outro lado, a ideia de transformar os árbitros em profissionais de tempo integral ainda é um tópico controverso. O sindicato dos árbitros não divulga os detalhes financeiros de seus contratos, mas estima-se que os árbitros mais bem remunerados recebem salários superiores a US$ 200 mil por ano. Austro acredita que exigir que eles se dediquem exclusivamente à arbitragem poderia limitar o acesso ao grupo de árbitros mais qualificados, pois muitos preferem manter suas ocupações diárias mais estáveis como uma rede de segurança, especialmente considerando que a carreira de árbitro pode ser abruptamente interrompida por lesões.
Reconhecimento e Mérito
Após a conclusão da temporada regular, os árbitros que se destacam são recompensados com jogos importantes nos playoffs. Esse reconhecimento, embora baseado no mérito, ocorre de forma confidencial. O chefe de arbitragem da NFL, Ramon George, tem a palavra final na seleção dos árbitros que apitam o Super Bowl. Para este ano, Shawn Smith, que tem oito anos de experiência como árbitro, foi escolhido para a posição de destaque, o que é um sinal de sua competência. “Ele tem bom domínio do jogo e inspira confiança”, diz Austro sobre Smith, que optou por não conceder entrevistas durante a temporada.
O trabalho árduo dos árbitros parece estar pagando dividendos, já que suas decisões, neste ano, têm gerado pouco debate, com exceções notáveis que sempre surgem em um evento de tal magnitude.


