Alinhamento de Prioridades no Setor Habitacional
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio da Comissão de Habitação de Interesse Social (CHIS), deu início à 1ª Rodada de Negócios da Habitação de 2026 nesta quinta-feira (5). O evento reuniu empresários, dirigentes da entidade e representantes do governo, além de agentes financeiros, com o objetivo de debater o cenário atual do financiamento habitacional e estabelecer prioridades para o setor nos próximos anos.
Dividido em duas etapas, o encontro começou pela manhã com uma reunião interna entre associados. À tarde, foi a vez de autoridades e convidados participarem das discussões. O foco principal foi a avaliação da execução orçamentária dos programas habitacionais, bem como os recursos destinados ao financiamento da produção e aquisição de moradias. Além disso, foram debatidas medidas para garantir maior agilidade e previsibilidade nas contratações em 2026.
Na abertura da rodada, Clausens Duarte, vice-presidente da Área de Habitação de Interesse Social da CBIC, enfatizou a importância desse espaço para ouvir as demandas do setor e construir soluções coletivas. “Esse é um momento crucial para escutar as solicitações mais urgentes e planejar nossas próximas ações”, destacou.
No período da manhã, os participantes analisaram o desempenho das operações de financiamento com recursos do FGTS e discutiram ajustes operacionais que visam aumentar a eficiência de instrumentos como a venda assistida. Maria Henriqueta Arantes Alves, representante da CBIC no Conselho Curador do FGTS, mencionou que estão sendo estudadas alternativas para melhorar a dinâmica das operações. “Buscamos soluções que tornem o processo mais eficiente e atinjam as necessidades reais das empresas”, explicou.
Durante essa etapa, o economista e assessor técnico das comissões da CBIC, Luis Fernando Mendes, ressaltou a importância de manter o equilíbrio financeiro dos programas habitacionais. “A sustentabilidade do FGTS é essencial para assegurar a continuidade do financiamento habitacional e a segurança dos trabalhadores que são cotistas do fundo”, enfatizou.
Discussões sobre o Futuro da Moradia e do Mercado Habitacional
À tarde, os debates avançaram para a análise do panorama do mercado habitacional e as previsões de execução orçamentária para 2025 e 2026. Os participantes acompanharam as contratações do programa Minha Casa, Minha Vida e o progresso das operações do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), além de discutir iniciativas voltadas para ampliar o acesso à moradia, como a locação acessível.
Fernando Guedes Filho, presidente-executivo da CBIC, reiterou a importância de um diálogo constante para lidar com os desafios operacionais que surgem com o crescimento das contratações. “Devemos usar esse espaço para superar as dificuldades e garantir que as contratações e entregas continuem a fluir de maneira adequada”, afirmou.
Ana Paula Peixoto, diretora de Provisão Habitacional do Ministério das Cidades, frisou a relevância da colaboração entre o governo e o setor produtivo para alcançar as metas nacionais de moradia. “Contamos com a parceria do setor para seguir avançando e aumentar o acesso da população à habitação”, declarou.
Representando a Caixa Econômica Federal, Raul de Oliveira Gomes, líder da Superintendência Nacional Habitação Pessoa Jurídica (SUHAJ), mencionou que o cenário de recursos para a produção habitacional está melhorando. “Estamos começando 2026 com um orçamento considerado suficiente para sustentar o crescimento das contratações”, afirmou, destacando um ambiente mais favorável para a continuidade das operações.
Jardel Luis Carpes, diretor de Riscos da Caixa, também fez uma observação positiva sobre a retomada do financiamento para projetos em diversas faixas de mercado. “Estamos percebendo um aumento nos projetos dentro dessa faixa de preço, o que deve acelerar as contratações em 2026”, comentou.
O evento reafirmou a importância da atuação colaborativa entre empresas e entidades representativas para identificar desafios regionais e desenvolver soluções que garantam maior estabilidade, previsibilidade e segurança para novos investimentos. Durante a programação, associados de várias regiões do Brasil também apresentaram demandas e sugestões focadas no aprimoramento dos programas habitacionais e dos processos operacionais, contribuindo para o alinhamento das prioridades do setor.
Além disso, o encontro contou com a presença da gerente executiva do Fundo de Garantias do Sistema Financeiro (Gefus), Aline Marques; do gerente nacional de Ativos do FGTS (Geavo), Clayton Takabatake; e do superintendente nacional de Habitação, Alexandre Martins Cordeiro, todos representantes da Caixa Econômica Federal.


