Nutresa Vislumbra Oportunidades na Venezuela
Após a recente aprovação de uma reforma histórica na Venezuela e com a ampliação das licenças por parte dos EUA para que petroleiras operem no país, o chairman do Grupo Nutresa, Gabriel Gilinski, está otimista quanto ao futuro econômico da nação vizinha. Ele, que é filho de Jaime Gilinski, o homem mais rico da Colômbia, aguardou pacientemente antes de comunicar a seus principais executivos uma importante notícia que poderia alterar o rumo dos negócios.
“Esta é uma excelente notícia para a Venezuela, a Colômbia e a Nutresa”, declarou Gabriel em um grupo do WhatsApp, compartilhando uma captura de tela da informação relevante. Imediatamente, uma reunião virtual foi agendada, envolvendo até mesmo executivos que estavam de férias, para traçar um plano ambicioso visando lucrar com a expectativa de que o país retorne ao capitalismo e ao livre comércio, mesmo sob a liderança da ex-vice-presidente de Maduro.
O objetivo estratégico é introduzir rapidamente no mercado venezuelano uma gama de produtos da Nutresa, incluindo chocolates, biscoitos, sorvetes e cafés, estabelecendo um domínio semelhante ao que a empresa já possui na Colômbia. Em um movimento significativo, a Nutresa já investiu cerca de meio milhão de dólares na Venezuela, o que permite repatriar lucros e proteger suas receitas, impulsionada pelo fluxo de dólares resultante da recuperação do comércio de petróleo sob os novos parâmetros estabelecidos pelos EUA.
A injeção de dólares na economia venezuelana é crucial, considerando a escassez significativa que caracteriza a nação. Essa nova dinâmica levou Gabriel a solicitar a triplicação das exportações mensais da Nutresa, que devem alcançar cerca de 3 milhões de dólares em fevereiro. “A expansão na Venezuela será muito rápida”, destacou Gilinski em uma rara entrevista à Bloomberg, realizada em Medellín, cidade sede da Nutresa. “Não precisamos esperar anos para construir uma nova fábrica. Podemos simplesmente aumentar a produção e distribuí-la rapidamente, o que gera margens de lucro atraentes.”
Gilinski ainda fez uma comparação ousada, afirmando que esta situação poderia ser vista como “a queda do Muro de Berlim para a América Latina”. Ele ressaltou que a Nutresa já tem um reconhecimento significativo de marca na Venezuela, além de uma presença que, embora pequena, lhe concede uma vantagem competitiva.
Atualmente, as fábricas da Nutresa estão operando com apenas 60% de sua capacidade, o que significa que a empresa pode facilmente aumentar a produção para atender a uma demanda crescente do mercado venezuelano. A nova fábrica da Nutresa está localizada em Santa Marta, na Colômbia, a poucas horas da fronteira, o que facilita a logística de entrega. “Vender na Venezuela é como ir do Texas à Louisiana. Desde que possamos receber o pagamento, podemos aumentar exponencialmente as quantidades exportadas”, afirmou Gilinski.
Oportunidades de Crescimento em Meio a Mudanças
Os Gilinski têm vivenciado um momento de grande sucesso corporativo, especialmente após a aquisição da Nutresa, que foi finalizada no ano passado. Este movimento não somente elevou a fortuna da família, com um patrimônio estimado em 35 bilhões de dólares, como também fez com que Jaime Gilinski se tornasse o maior magnata da Colômbia, sendo que ele adquiriu 85% da Nutresa por aproximadamente 2,7 bilhões de dólares. O investimento inicial se multiplicou mais de dez vezes desde então, em grande parte financiado pela família real de Abu Dhabi, que se tornou sócia minoritária na empresa.
Recebendo com entusiasmo a possibilidade de expansão na Venezuela, Jaime Gilinski reitera a longa história da Nutresa no país, onde a empresa chegou a representar 20% das receitas totais no passado. A expectativa é que a nova dinâmica do mercado, impulsionada por reformas e um ambiente econômico mais favorável, reative essa relação e ofereça novas oportunidades para ambas as nações.


