O Artesanato como Expressão Cultural e Econômica
Com cola de maizena, papel e uma pitada de criatividade, o artesão Antônio Marcos da Silva, de Lençóis Paulista, região de Bauru, dá vida a fascinantes máscaras carnavalescas. Ele é um dos participantes do Programa Empreendedor Artesão, desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo (SDE). Este programa tem como objetivo não apenas valorizar o fazer manual, mas também inserir o artesanato no mercado como uma verdadeira fonte de renda e expressão cultural, unindo referências da riquíssima cultura brasileira e paulistana em suas criações.
Reconhecido como Mestre Artesão pelo Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), Antônio enfatiza a relevância do programa no reconhecimento de sua atividade como um potencial econômico. “Embora eu já fosse artesão, essa iniciativa trouxe um novo significado ao meu trabalho. Ela ajuda a desfazer o estigma sobre a arte popular e o artesanato, que muitas vezes é visto como algo menor. Quando o que fazemos é valorizado, nós, artesãos, somos valorizados também”, afirma.
Impulsionando o Empreendedorismo Artesanal
O Empreendedor Artesão se destaca por ser uma iniciativa robusta que visa não apenas a valorização artística, mas também a consolidação do artesanato como uma atividade cultural e econômica vital. O programa atua em quatro frentes principais: a formalização da profissão, oferecendo a Carteira do Artesão (tanto estadual quanto nacional); orientações para a abertura de negócios, como MEI, cooperativas e associações; capacitação técnica e empreendedora; e acesso facilitado a crédito por meio de linhas específicas do Banco do Povo Paulista, que possibilitam a ampliação e modernização dos empreendimentos artesanais.
Atualmente, Antônio se dedica à criação de bonecos gigantes, máscaras, colares e esculturas que refletem a cultura popular brasileira, especialmente voltadas para o carnaval, utilizando a técnica da papietagem. “Minha produção é inspirada em personagens da cultura popular que simbolizam resistência e celebram o carnaval pernambucano. É uma maneira de destacar a arte da periferia e evidenciar que existem múltiplas formas de expressão artística e maneiras de vivenciar o carnaval”, conta.
Raízes e Influências que Moldaram o Artesão
Nascido no Nordeste, em uma zona rural de recursos limitados, Antônio teve um contato precoce com a arte. Sem acesso a brinquedos industrializados, sua criatividade foi aguçada pelas feiras livres e pelos materiais simples à disposição. “O papel que eu usava vinha das feiras, de embalagens feitas com jornais e revistas. Comecei a enxergar nesse material uma oportunidade de criar arte. Usávamos uma cola feita de amido de milho, o grude. Com isso, tínhamos a liberdade de picotar papéis e transformar esses elementos em brinquedos e esculturas desde a infância”, explica.
A mudança para São Paulo representou um marco em sua trajetória pessoal e profissional. “Naquele momento, não percebia que aquilo poderia ser meu trabalho. Ao chegar em São Paulo, comecei a levar a arte mais a sério. Aqui, as oportunidades são mais abundantes, e meu trabalho ganhou novas formas, mais técnica e repertório criativo”, recorda.
A compreensão do artesanato como profissão amadureceu aos 16 anos, quando começou a vender suas peças para amigos e familiares. Apesar de ter explorado outras áreas ao longo da vida, o fazer artesanal sempre esteve presente, garantindo sustento e satisfação pessoal.
O Impacto Econômico do Artesanato Paulista
Conforme dados do Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), São Paulo abriga mais de 92 mil artesãos registrados, contribuindo com aproximadamente R$ 136,6 bilhões à economia do estado, o que representa cerca de 5,2% do PIB paulista em 2022. Esses números reafirmam a importância do artesanato como um setor econômico significativo.
Valorização Afetiva do Artesanato
Para Antônio, o artesanato abrange um valor que transcende a técnica ou o produto final. Suas obras já foram expostas em feiras de artesanato em diversos estados. “Comprar artesanato vai além de adquirir um objeto; é comprar afeto. É um item que se conecta diretamente com o comprador. Encontros de afeto entre o artista e quem adquire sua obra”, ressalta.
Além de produzir, Antônio também realiza oficinas e aulas, ampliando o acesso ao conhecimento sobre o fazer artesanal. “Criar artesanato não é apenas um trabalho manual; é um processo que envolve a mente. Materializar com as mãos aquilo que imaginamos é criar uma nova linguagem com a mesma técnica, demonstrando o repertório cultural que carregamos conosco.”


