Crise sem precedentes no São Bento
Se nada extraordinário acontecer, o São Bento deve iniciar a Série A3 do Campeonato Paulista em 2027. O rebaixamento, que já parece uma realidade, é um reflexo das ações, ou da falta delas, por parte da diretoria nos últimos anos. Sob a liderança de Almir Laurindo, que está à frente do clube há seis anos, a situação se deteriorou de forma alarmante.
O Bentão, um patrimônio de 112 anos, e sua fiel torcida se tornaram reféns da inércia administrativa. O clube, que já foi sinônimo de tradição no futebol paulista, agora vive um mês a mês de resultados desastrosos. Os números falam por si: em 11 jogos este ano, foram 10 derrotas e apenas um empate. Esta série de insucessos se traduz em sete derrotas consecutivas, a segunda pior sequência do século para a equipe. O último triunfo ocorreu em agosto de 2025, contra o Guarani, na Copa Paulista. Desde então, são 14 partidas sem vitória.
Desempenho histórico em queda livre
O último jogo em casa que registrou uma vitória foi em março de 2025, na última rodada da A2, quando o Bentão enfrentou o Rio Claro. Desde então, a torcida beneditina ainda não teve a alegria de ver o time vencer no CIC, o campo do clube.
A situação no São Bento é tão crítica que, desde o ano passado, seis treinadores passaram pelo comando da equipe. Roberto Fonseca, Luiz Carlos Martins, Dyego Coelho, Fabiano Carneiro, Alan Dotti e Wilson Júnior não conseguiram reverter a trajetória negativa. Isso evidencia um fato: o problema vai muito além da capacidade técnica dos profissionais. A falta de planejamento e de uma linha de ação clara é palpável.
Os técnicos parecem ser usados como escudos por uma diretoria que parece cada vez mais obcecada pelo poder. Almir Laurindo até anunciou que não se candidataria à reeleição em 2023, prometendo abrir espaço para “novos grupos”. Contudo, poucos dias depois, ele decidiu voltar atrás e anunciou uma chapa única, garantindo mais um mandato.
Retrospectiva e desinvestimento em infraestrutura
Historicamente, o São Bento disputou a Série B do Campeonato Brasileiro em 2018 e 2019. Desde então, a trajetória do clube foi marcada por cinco rebaixamentos: três em 2019, 2021 e 2023 no Paulistão, além de um na Série B (2019) e na Série C (2020). Em 2025, o time quase caiu na Série A2.
Os resultados em campo refletem diretamente a falta de investimentos em infraestrutura. A ausência de um projeto de futebol claro é evidenciada pelo estado precário do CT Humberto Reale, que apresenta condições muito inferiores às de muitos clubes da segunda divisão paulista. Além disso, o setor de base enfrenta um verdadeiro colapso. O Bentinho, como é carinhosamente chamado, foi eliminado na primeira fase das últimas cinco Copinhas, e as categorias de base estão terceirizadas, uma clara demonstração de falência administrativa.
Desafios financeiros e a busca por soluções
A escassez de recursos é uma realidade. O Azulão acumula uma dívida que gira em torno de R$ 11 milhões, um montante que cresce com cada nova gestão. Os líderes do clube precisam buscar alternativas financeiras que possam sanar essas dificuldades. Sorocaba, com suas 700 mil habitantes e um número considerável de empresas, possui potencial para gerar recursos que sustentem o futebol local.
Clubes com menos tradição e torcidas menores têm obtido resultados muito melhores em comparação ao São Bento. A diretoria parece acreditar que as constantes mudanças de técnicos podem trazer um salvador da pátria, mas a realidade é que essa tática não trouxe sucesso.
O Bentão se tornou um clube abandonado, clamando por um investidor que compre a SAF e resolva todos os problemas. O estado de abandono em que se encontra diminui seu poder de negociação com futuras empresas. Hoje, o Azulão não consegue se dar ao luxo de recusar propostas.
Consequências e futuro incerto
O Conselho do São Bento enfrenta dificuldades depois de três desistências de empresas interessadas na compra da SAF. Embora o órgão tenha atuado de forma responsável, a profundidade da crise torna complicado exigir garantias de qualquer novo potencial comprador.
Se a situação continuar assim, o Azulão pode terminar a temporada com a pior campanha da história da Série A2. Os recordes negativos são preocupantes: Guaratinguetá (2015), Araçatuba (2002 e 2006) e Grêmio São-Carlense (2003) foram os únicos a conquistar apenas três pontos. O elenco de 2026 foi montado de forma inadequada, e a tragédia já estava prevista antes do início da A2. O plantel conta com jogadores que não têm nível nem para a Série A3, muito menos para a A2.
Fábio Bahia, de 42 anos, um dos ídolos do São Bento, é um dos nomes que compõem o elenco atual, mas mesmo ele não é suficiente para mudar a trajetória do clube. Os números mostram que, na última década, o Bentão acumulou 33 vitórias, 60 empates e 57 derrotas, com 125 gols marcados e 161 sofridos — um reflexo claro da decadência que assola a equipe.


