Contratempos no Sambódromo
A segunda noite do Grupo Especial no Sambódromo do Anhembi, realizada no último sábado (14), trouxe à tona uma série de imprevistos que contrastaram com a grandiosidade dos desfiles. Desde atendimentos médicos até problemas estruturais, os desafios foram muitos, especialmente para a escola Camisa Verde e Branco, que enfrentou situações complicadas durante sua apresentação.
Um dos momentos mais críticos ocorreu com o último carro alegórico da Camisa Verde e Branco, que apresentou uma falha técnica. Na reta final do desfile, a alegoria ficou presa nas barras de ferro laterais da pista, resultando em um atraso significativo. Integrantes da escola se mobilizaram para empurrar o carro e liberá-lo, mas a correria teve um custo: o vice-presidente da escola, João Victor Ferro, acabou machucando o pé durante o esforço. Apesar da dedicação, a escola não conseguiu concluir o desfile dentro do tempo regulamentar, encerrando sua apresentação em 1h06min19s.
Desfalques e Emergências no Desfile
Na madrugada do domingo (15), mais um incidente chamou a atenção no Sambódromo. Uma integrante da velha guarda da Camisa Verde e Branco desmaiou por volta das 4h30, após não se alimentar adequadamente e, segundo informações, já apresentar diabetes. Ela recebeu atendimento médico no local e foi encaminhada para avaliação em uma ambulância. A escola, que se apresentou com o enredo “Abre Caminhos”, foi a última a entrar na avenida.
Em um episódio isolado, o presidente da Águia de Ouro, Sidnei Carriuolo Antônio, também passou por um susto. Durante a dispersão, ele foi atingido por um portão ao finalizar o desfile da escola. O incidente gerou confusão, pois a segurança estava fechando o acesso de acordo com as normas, mas a situação resultou em bate-boca e deixou o dirigente com uma marca vermelha na testa.
Problemas Técnicos e Estruturais na Festa
Outro desafio enfrentado durante a noite foi o problema elétrico no carro alegórico da Tom Maior. A escola, que é a atual campeã do Grupo de Acesso I, teve que contornar uma pane elétrica que interrompeu a apresentação por alguns instantes. O enredo escolhido, “Chico Xavier. Nas entrelinhas da alma, as raízes do céu em Uberaba”, fez referências à vida do médium e à cidade mineira, mas a apreensão foi palpável até que o problema fosse solucionado.
Além das questões inerentes ao desfile, o camarote da Prefeitura de São Paulo também registrou problemas com o sistema de esgoto. Por segundo dia consecutivo, os convidados enfrentaram um forte odor e acúmulo de água escura na entrada do local, o que levou a equipes a improvisar soluções para conter o problema. Funcionários relataram que o sistema estava comprometido, situação que já havia sido antecipada após um cano estourar na sexta-feira (13) devido às chuvas. Até o momento, a Prefeitura não se manifestou sobre a situação.
Enredos e Temas em Destaque
Apesar dos contratempos, os desfiles seguiram com suas propostas artísticas e culturais. A Águia de Ouro apresentou o enredo “Mokum Amesterdã: o voo da Águia à cidade libertária”, que fez homenagem à capital holandesa e abordou temas como diversidade e autonomia individual. Um dos carros da escola, que simbolizava o distrito da luz vermelha, trouxe casais representando o casamento homoafetivo e um grande boneco verde que soltava fumaça, fazendo referência ao uso da maconha, legalizada em coffee shops na cidade.
A Gaviões da Fiel, por sua vez, levou à avenida o enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, que enfatizou a importância da preservação ambiental e a valorização dos povos originários, mantendo a tradição sem esquecer das questões contemporâneas.


