Operações Milionárias e Novas Estratégias dos Fundos Imobiliários
A recente semana foi marcada por intensas movimentações no mercado de fundos imobiliários, com transações que somaram valores significativos e refletiram diversas estratégias adotadas pelos gestores. Um dos principais destaques foi a venda de 22 imóveis ocupados pelo Atacadão pelo Carrefour. A operação, que totalizou R$ 975 milhões, reforça o modelo de sale & leaseback no setor alimentar, ampliando a presença dos FIIs em ativos de grande porte com contratos sustentados por inquilinos de renome.
No segmento de infraestrutura, o SNEL11 anunciou um pacote de aquisições de usinas solares operacionais, totalizando R$ 436,2 milhões, incluindo a UFV Soleil, localizada no Paraná. Essa transação expande a capacidade instalada do fundo e fortalece sua posição na geração distribuída, alinhando-se a contratos de médio prazo.
Na esfera dos fundos de shopping, o XPML11 deu início à sua 14ª emissão de cotas, com uma captação inicial projetada em R$ 400 milhões. A oferta pode ser aumentada com a inclusão de um lote adicional e visa reforçar o caixa para novas aquisições ou fortalecer posições estratégicas no mercado.
O TRBL11, atuando no segmento logístico, anunciou a locação total de um galpão em Contagem (MG) para uma empresa vinculada à Shopee, eliminando assim a vacância do ativo e reduzindo o indicador consolidado do portfólio para 3,3%. Esta movimentação representa um importante avanço, especialmente após a saída do Correios.
Fundos Imobiliários: Novidades e Aquisições Relevantes
O FATN11 também se destacou ao firmar uma promessa de compra de um edifício comercial de 4.135 m² de ABL em São Paulo. O ativo será submetido a um processo de retrofit e modernização, seguindo a estratégia de requalificação do portfólio do fundo.
O TJKB11, por sua vez, anunciou a aprovação de sua 4ª emissão de cotas, totalizando R$ 380,8 milhões, respeitando o direito de preferência dos cotistas. Essa emissão é uma medida estratégica para fortalecer a posição do fundo no mercado.
Outro anúncio importante foi o do BLMG11, que iniciou um programa de recompra de até 10% das cotas, com duração estipulada em 12 meses. Essa iniciativa pode ter um impacto positivo na sustentação do preço das cotas no mercado secundário.
No que diz respeito à reciclagem de portfólio, o RBVA11 vendeu uma agência do Santander localizada em São Gonçalo por R$ 7 milhões, apresentando uma TIR de 10,65% ao ano ao longo de 13 anos. Essa venda se insere na estratégia de otimização do portfólio do fundo.
BRCO11 e o Impacto das Novas Estratégias
O BROC11 também trouxe novidades ao ampliar seu contrato com a FedEx, reduzindo a vacância do imóvel Bresco Viracopos para 0,4%, com um impacto estimado de R$ 0,03 por cota. Este movimento é visto como uma forma de aumentar a eficiência operacional do fundo.
Os gestores de diversos segmentos de FIIs começam a incorporar o início do ciclo de cortes da Selic como um cenário base para o primeiro semestre de 2024. Apesar da taxa ainda estar em 15%, o mercado já começa a precificar reduções que podem variar entre 25 e 50 pontos-base. Fundos logísticos, de renda urbana e de crédito convergem na percepção de que o ciclo de aperto monetário pode ter chegado ao seu limite.
Caso as reduções nas taxas sejam confirmadas, essa tendência pode beneficiar os ativos reais, diminuindo o custo de capital e favorecendo a reprecificação de FIIs que estão atualmente negociados com desconto.


