A Regata que Une Dois Países
Entre 11 e 15 de março, a cidade de Rio Grande será novamente o ponto de encontro de veleiros que cruzarão a partir de Montevidéu, celebrando a Regata Rio da Prata – Rio Grande. Esta competição resgata uma tradição que teve seu início em 1963, data da primeira edição do evento.
Decorridos mais de 60 anos, o veleiro Vega se destaca como um símbolo dessa jornada. A embarcação, que fez parte do primeiro movimento náutico que uniu o Uruguai ao sul do Brasil, é hoje uma relíquia preservada em um museu em Pelotas.
Paulo Renato Baptista, presidente da Sociedade Museu Marítimo de Pelotas, conta que o Vega foi projetado e construído em 1961. No entanto, há controvérsias sobre sua origem, já que alguns acreditam que a construção ficou a cargo de Thor Sanddel, um finlandês que colaborou com o Veleiros do Sul. O que se sabe com certeza é que, em 1963, a embarcação, então chamada Hobby e comandada pelo Comandante Carvalho Armando, participou da primeira Regata dentro da Lagoa dos Patos.
No dia 10 de fevereiro de 1963, doze veleiros partiram das proximidades do Puerto del Buceo, em Montevidéu, em direção a Rio Grande. A primeira edição da regata consistiu em duas etapas: uma em mar aberto entre Montevidéu e Rio Grande, e outra na Lagoa dos Patos até Porto Alegre.
A iniciativa de realizar a regata partiu do Veleiros do Sul, e contou com a participação de embarcações notáveis. Entre os veleiros de destaque estavam o Cairu III, de Jorge Geyer, e o Farallon, de Hector Ezcurra, que representava a Argentina. A competição de 1963 consagrou o Cairu III como o vencedor.
Retomada da Tradição
Após um intervalo de 50 anos, a Regata Rio da Prata – Rio Grande retorna ao litoral sul do Brasil, trazendo de volta uma história iniciada na década de 1960. O evento deste ano será uma parceria entre o Rio Grande Yacht Club e a Prefeitura local, e está marcado para acontecer entre 11 e 15 de março. O percurso terá início no Porto del Buceo, em Montevidéu, seguindo até o município de Rio Grande.
A história da regata é rica e se estende a edições ocorridas em 1975 e 1976. A segunda edição, realizada em 2 de fevereiro de 1975, foi organizada em colaboração com os clubes Rio Grande Yacht Club, Veleiros do Sul e Yacht Club Uruguayo. Nessa ocasião, os veleiros percorreram aproximadamente 300 milhas náuticas.
O ano seguinte marcou a terceira edição, que aconteceu em 21 de fevereiro de 1976, também promovida pelos mesmos clubes, mantendo viva a conexão entre Puerto Buceo e Rio Grande. Essas edições consolidaram o evento como um símbolo de integração e competição entre os países do Brasil, Argentina e Uruguai, ressaltando o potencial da vela oceânica na região do Prata.
Recentemente, o governo uruguaio, através do Ministério do Turismo, declarou interesse turístico na regata, destacando sua relevância cultural e esportiva.
A Homenagem ao Veleiro Vencedor
O veleiro Fita Azul, que cruzar a linha de chegada primeiro na Regata Rio da Prata – Rio Grande, será homenageado com o Troféu Vito Dumas. Esta premiação, conforme explica Richard John Grantham, visa valorizar a rica história da vela na América do Sul.
Grantham detalha que o troféu será concedido ao veleiro que chegar primeiro, não necessariamente ao vencedor geral da regata, que utiliza um sistema de compensação de tempo entre as embarcações. Ele realça a importância histórica de Vito Dumas, reconhecido como um ícone da navegação sul-americana, que conquistou notoriedade nas décadas de 1930 e 1940. Dumas chegou ao Brasil em 1932 após uma travessia oceânica e foi acolhido pelo Yacht Club Rio Grande, onde ofereceu parte do mastro de sua embarcação como agradecimento.
Este evento representa não apenas uma competição, mas uma celebração da herança marítima e da amizade entre os países envolvidos. Ao reavivar a Regata Rio da Prata – Rio Grande, os organizadores esperam inspirar novas gerações a se apaixonarem pela vela e pela rica cultura náutica da região.


