Redescobrindo as Raízes Musicais
Steve Hackett, conhecido por sua passagem marcante pelo Genesis, está de volta ao Brasil para uma série de apresentações, trazendo seus clássicos e músicas solo. O músico britânico, que fez parte da banda durante seu auge no rock progressivo, fala sobre suas memórias dos anos 70 e sua conexão com músicos brasileiros, como Ney Matogrosso e Ritchie, além de refletir sobre as transformações na indústria musical provocadas pela tecnologia. Ele se apresenta no Rio de Janeiro, no Vivo Rio, e em São Paulo, no Espaço Unimed, nos dias 21 e 22 de março, respectivamente.
Com 76 anos, Hackett mantém um espírito jovial e não hesita em compartilhar suas recordações de festas da década de 1970, que frequentemente envolviam muito rock, liberdade e uma pitada de humor. Em uma conversa descontraída por videoconferência a partir de sua casa na Inglaterra, ele conta: “Havia uma piada que dizia que uma boa festa nos anos 70 era quando as pessoas apareciam, fumavam seus baseados e ouviam ‘The Dark Side of the Moon’ do Pink Floyd, acordando horas depois e pensando que foi uma ótima celebração!”
A sua apresentação no Brasil se destaca por incluir não apenas os sucessos do Genesis, mas também novas composições que ele lançou ao longo das décadas. “Tocar a música ‘Supper’s Ready’ ao vivo é uma experiência única. Naquela época, acreditávamos que o público se deixaria levar por uma performance mais intensa e longa, e isso se provou verdade!,” diz Hackett. Para ele, a conexão entre músicas e público é o que torna os shows ao vivo tão especiais.
A Evolução da Música e o Papel da Tecnologia
Durante a conversa, Hackett discute as mudanças na música com o advento da tecnologia, que transformou a produção e o consumo musical. “Recentemente, eu diria que, para criar uma canção de sucesso hoje, você só precisa de duas pessoas, um computador e um cantor,” reflete. Contudo, ele acredita que a autenticidade das performances ao vivo permanece inigualável. Para ele, o público ainda busca aquela experiência mágica que só a música ao vivo pode fornecer. “A música se torna mais subjetiva em um mundo onde tudo é entregue rapidamente. Precisamos de refeições musicais que nos satisfaçam, não apenas de fast food,” comenta.
A passagem de Hackett pelo Brasil também representa um reencontro com velhos amigos entre os músicos locais. “Estou regravando uma versão de ‘Voo de Coração’ com Ritchie, uma música que fizemos em 1983. É gratificante ver a música ganhar nova vida,” compartilha. O músico rememora com carinho a época em que foi casado com a artista plástica brasileira Kim Poor e gravou seu disco ‘Till We Have Faces’ com a colaboração de músicos brasileiros.
Influências Brasileiras e Conexões Culturais
Hackett ressalta que a simplicidade e a profundidade da música brasileira deixaram uma marca indelével em sua carreira. “O que mais me fascinou nos músicos brasileiros é a capacidade de um único percussionista criar uma incrível variedade de sons. Isso me fez reconsiderar a maneira como a percussão funciona em um conjunto,” revela. Ele menciona a importância da percussão como uma forma de arte capaz de criar paisagens sonoras tão ricas quanto qualquer instrumento harmônico.
Uma memória marcante do guitarrista é uma conversa com Brian May, do Queen, nos bastidores do Rock in Rio em 1985, onde ambos compartilhavam a admiração pelo icônico Ney Matogrosso. “Ney era acompanhado por músicos extraordinários, incluindo Rafael Rabello, um violonista que teve uma grande influência sobre minha forma de tocar,” conclui Hackett, refletindo sobre o legado musical que continua a inspirar artistas ao redor do mundo.


