Impactos do Novo Marco Regulatório no Ensino a Distância
Recentemente, o novo marco regulatório do ensino a distância (EaD) trouxe mudanças significativas para as instituições de ensino superior no Brasil. A legislação, que endureceu as regras e impediu a oferta de alguns cursos exclusivamente on-line, foi considerada positiva por Paula Harraca, CEO da Ânima Educação. A Ânima é uma das maiores redes de educação superior do país, responsável por instituições renomadas como o Anhembi Morumbi e o Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação (IBMR). Em sua avaliação, as novas diretrizes são benéficas tanto para as universidades quanto para a sociedade.
Natural de Rosário, Argentina, Paula, que também foi goleira da seleção argentina de hóquei sobre grama, fez uma transição de carreira em direção à educação, influenciada por sua trajetória familiar, já que é filha de professora. Ela aponta que, com o avanço das tecnologias, o papel do docente passou por uma transformação significativa. “O professor perdeu o monopólio da atenção, do conhecimento e da autoridade”, afirma.
A Educação a Distância e Seus Desafios
A educação a distância experimentou um crescimento notável no Brasil, com o número de estudantes nesse formato atingindo quase 10 milhões, correspondendo a cerca de 50% do total de alunos no ensino superior. Contudo, Paula ressalta que esse crescimento, embora quantitativo, não necessariamente trouxe melhorias na qualidade do ensino. A Ânima, que até então não tinha uma oferta robusta de EaD, expandiu suas operações após a aquisição da Laureate em 2020, por mais de R$ 4 bilhões, incorporando a modalidade em sua estratégia.
Paula destaca a importância da interação humana no processo de aprendizado digital. “Não podemos nos limitar a assistir a vídeos. É crucial ter trabalhos e trocas significativas”, enfatiza. As novas regras também proibiram a oferta de cursos como Medicina e Engenharia na modalidade a distância, o que Paula considera um acerto. Para ela, preparar profissionais da saúde apenas com aulas on-line é inviável.
Oportunidades e Desafios no Crescimento da Ânima
A Ânima possui 25 marcas de educação e 80 campi espalhados pelo Brasil, além de parcerias internacionais, como com a Singularity University, um hub de inovação do Vale do Silício. O crescimento da empresa, segundo Paula, se mantém em um ritmo positivo. Em seu primeiro ano completo como CEO, em 2025, a Ânima obteve um lucro líquido de R$ 123,8 milhões, um crescimento de 45,3% em relação ao ano anterior. A receita superou os R$ 4 bilhões, com um aumento de 7% na captação de novos alunos.
Ao ser questionada sobre a estratégia de expansão da Ânima, Paula enfatiza que a integração das instituições adquiridas foi bem-sucedida. A preservação dos nomes das escolas adquiridas foi uma escolha estratégica, permitindo que os alunos optem por estudar na instituição líder em sua região. Essa abordagem tem se mostrado eficaz na atração de estudantes e na criação de sinergias.
Preparação de Alunos e Professores para um Novo Cenário
Paula também discute a chegada de novos alunos ao ensino superior, muitos deles provenientes de um ensino médio impactado pela pandemia. Ela observa que, apesar de possuírem maior letramento digital, esses estudantes enfrentam desafios cognitivos e uma fragilidade em sua capacidade de resolver problemas. “Alguns, no entanto, chegam com um forte propósito”, completa.
Em relação à formação dos professores, a CEO menciona a implementação de uma tecnologia chamada Iara, que atua como um copiloto para o docente. Essa inovação, baseada na neurociência da aprendizagem, permite que os professores personalizem o ensino de acordo com as necessidades dos alunos, transformando-os em mentores na jornada educacional.
Desafios de Evasão e o Cenário Futuro do Setor Educacional
A evasão escolar é uma preocupação constante. Paula afirma que, apesar das melhorias no EaD, as taxas de desistência ainda são elevadas, especialmente no início dos cursos. Para mitigar esse problema, a Ânima busca envolver estudantes veteranos na acolhida dos calouros.
O cenário de consolidação no setor educacional brasileiro tem se modificado. Paula acredita que, embora o movimento de fusões e aquisições não seja tão forte quanto antes, ainda existem oportunidades. As instituições que apresentam melhor desempenho geralmente contam com equipes de gestão locais e uma base acionária mista.
Por último, Paula fala sobre o impacto das altas taxas de juros na educação. Ela ressalta que a educação deve ser vista como um investimento e que a Ânima está empenhada em educar financeiramente seus alunos, mostrando o valor de seus cursos e a conexão com o mercado de trabalho.


