Submundo 808: Uma Celebração Cultural
Com um público de cerca de 10 mil pessoas, a Submundo 808 tem se destacado não apenas por suas batidas envolventes, mas também por representar uma nova era do funk no interior de São Paulo. Realizada neste sábado (21), em Sorocaba, a segunda edição do evento reafirmou sua importância na cena cultural paulista, após sua estreia em 2023, em Campinas.
No mês que celebra os DJs, o portal g1 esteve presente para vivenciar a energia desse ritmo que tem conquistado multidões. O termo DJ, que vem do inglês disc jockey, se refere ao artista responsável por tocar e misturar músicas, criando experiências únicas. Para muitos, como o renomado DJ KL Jay, ser DJ é essencialmente conectar pessoas através da música.
A line-up da noite contou com artistas de destaque, incluindo Caio Prince, e os cofundadores da Submundo, Tresk e Clei. A presença do DJ norte-americano Skrillex como atração surpresa trouxe ainda mais brilho ao evento, junto com outros nomes de peso como DJ Halc e DJ Ery, conhecido como ‘Caveirão’.
Crescimento e Conexão com o Público
A Submundo, que começou modestamente com apenas 500 pessoas em Campinas, tem visto um crescimento exponencial. O DJ Tresk enfatizou a recepção calorosa do público de Sorocaba, afirmando que a cidade sempre demonstrou potencial para eventos desse porte. “Quando viemos pela primeira vez e reunimos oito mil pessoas, isso mostrou que ali tinha algo especial”, destacou.
Além do crescimento, os organizadores apontam uma mudança significativa no protagonismo dos DJs. “A Submundo foi criada para realçar o trabalho dos DJs, que muitas vezes ficavam em segundo plano. Hoje, o foco está neles, e isso é muito gratificante”, explicou Clei.
A proposta do evento vai além da música; visa criar uma experiência imersiva entre artistas e público, onde elementos como as ‘umbrellas’ (guarda-chuvas) e o funk bruxaria se tornam símbolo de uma nova era cultural. “Queremos que o público se sinta parte do espetáculo. A proximidade do DJ com a plateia cria uma conexão verdadeira”, comentou Tresk.
Funk Bruxaria: Uma Nova Vertente
O funk bruxaria, que começou a ganhar destaque durante a pandemia em 2020, é uma vertente mais underground e experimental do funk paulista. Com suas batidas agressivas e uma atmosfera sombria, esse estilo rapidamente se tornou popular em bailes e plataformas digitais. De acordo com dados do YouTube, o funk é o gênero mais consumido no Brasil, com 17 faixas entre as 50 mais ouvidas no primeiro semestre de 2025, evidenciando seu crescimento vertiginoso.
Caio Prince, um dos principais DJs da noite, falou sobre a importância da conexão com o público do interior. “Sorocaba sempre teve um lugar especial para mim. Voltar aqui com um evento desse porte é uma experiência única”, disse. Ele também comentou sobre a força da cena underground no aumento da popularidade do funk. “O crescimento do funk bruxaria mostra que mesmo os que não conhecem o ritmo se entregam à experiência”, acrescentou.
Representatividade e Evolução na Cena
A participação de artistas locais, como a DJ Shayy, fortalece ainda mais a identidade do evento. Shayy, a única representante de Sorocaba no line-up, expressou sua alegria em se apresentar na própria cidade. “É especial dividir o palco com artistas que admiro, e isso mostra o quanto estou evoluindo na cena”, afirmou.
Ela também ressaltou a importância de ser uma inspiração como mulher periférica no funk, um cenário que ainda apresenta desafios. “Eu sei como ter referências pode impactar vidas, e por isso carrego essa responsabilidade com carinho”, completou.
Inovação e Projeções Futuras
Para os artistas, a evolução do funk está atrelada ao protagonismo dos DJs. O DJ GP da ZL acredita que este é o momento ideal para o gênero, que tem conquistado espaço internacionalmente. “O funk bruxaria é uma tendência global, e a inovação constante é essencial para atender às expectativas do público”, afirmou.
DJ Ery, conhecido pelo seu carisma com o público universitário, compartilhou sua experiência ao se apresentar para grandes multidões. “Cada show é único. Quanto maior o público, maior a energia, e isso transforma a apresentação em algo inesquecível”, contou.
Os organizadores da Submundo têm planos ambiciosos para o futuro, incluindo levar o evento para novas regiões do Brasil, como Manaus e Belém. “Queremos expandir nossa conexão com outras culturas, criando uma rede que una DJs de diversos estados”, afirmaram Tresk e Clei, empolgados com a possibilidade de novos horizontes.


