Contaminação por E. coli no Parque Municipal
A Prainha do Porto das Águas, um dos espaços de lazer mais procurados por residentes de Sorocaba (SP), está enfrentando um sério problema de contaminação. A água do local, que atrai centenas de pessoas, especialmente em dias quentes, foi identificada com a presença da bactéria Escherichia coli (E. coli), conforme revelou um laudo solicitado pelo g1, realizado pelo Instituto Adolfo Lutz. O laudo, que analisou amostras coletadas em 29 de outubro, concluiu que a água é imprópria para o consumo humano, uma vez que apresenta níveis de coliformes fecais em desacordo com as normas estabelecidas.
Embora o contato com a água não seja recomendado, a Prefeitura de Sorocaba, em uma nota oficial, afirmou que a água está em boas condições. No entanto, especialistas, como a médica infectologista Rosana Maria Paiva dos Anjos, alertam que a contaminação pode representar um risco significativo à saúde pública, incluindo a possibilidade de surtos de hepatite A.
A gravidade da situação
A análise realizada pelo Instituto Adolfo Lutz foi feita tendo em vista a potabilidade da água, mas os especialistas advertem que o contato recreativo, mesmo que acidental, pode levar a sérias consequências. Rosana enfatiza que a presença da E. coli não só indica contaminação fecal, mas pode sugerir a presença de outros patógenos, como vírus e protozoários, apresentando um risco adicional para banhistas, especialmente crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa.
Antes da análise, a cidade já havia registrado um aumento alarmante de casos de hepatite A, com um crescimento de mais de dez vezes nas notificações em comparação ao ano anterior. “A presença de E. coli na água do Porto das Águas aumenta a preocupação com surtos de hepatite A e outras doenças transmitidas por via fecal-oral”, afirma a especialista.
Precauções necessárias
Com a identificação da bactéria, é fundamental que a população tome precauções. Rosana recomenda a interdição da área até que a água esteja segura. Entre as orientações estão:
- Evitar qualquer contato com a água, inclusive para nadar ou permitir que crianças e animais brinquem nas margens;
- Não ingerir a água sob nenhuma circunstância;
- Manter uma boa higiene, lavando as mãos com água e sabão após qualquer contato acidental;
- Procurar atendimento médico se surgirem sintomas como diarreia, vômito ou febre após visitar o local;
- Divulgar informações sobre os riscos à comunidade.
Além disso, a especialista sugeriu que novas coletas sejam realizadas para monitorar a situação e investigar a fonte da contaminação.
Posição da Prefeitura
A Prefeitura de Sorocaba, por sua vez, reafirma que a água do local atende aos padrões exigidos pela Resolução Conama nº 274/2000, que estabelece critérios para balneabilidade no Brasil. A administração alegou que as análises mais recentes do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) indicavam que a água estava classificada como boa para o contato, sem indícios de contaminação.
Enquanto isso, o Parque continua a receber um grande número de visitantes, o que levanta preocupações adicionais. No último fim de semana, mais de 130 pessoas estavam presentes, muitas delas crianças, que são mais vulneráveis a doenças causadas por água contaminada.
“É uma situação preocupante. É fundamental que a população esteja ciente dos riscos e mantenha-se informada sobre a qualidade da água”, conclui Rosana. O ambiente, que foi recentemente inaugurado e elogiado pelo prefeito afastado Rodrigo Manga, agora se vê sob uma nova luz de preocupação sanitária.


