A queda de Bolsonaro e a pressão pela mudança de regime
A queda sofrida por Jair Bolsonaro na cela da Polícia Federal, ocorrida na madrugada de terça-feira, dia 6, acentuou a mudança de estratégia de comunicação da família. Mais do que discutir as questões jurídicas e políticas em torno do ex-presidente, a ênfase agora está voltada para a saúde de Bolsonaro, com o argumento de que sua permanência na prisão representa um risco à sua vida.
Desde o incidente, Michelle e os filhos passaram a usar as redes sociais para retratar o ex-presidente como um paciente delicado, que demanda cuidados constantes. Na terça-feira, a família inundou as plataformas digitais com relatos de preocupação, pedidos de providências e descrições detalhadas da espera angustiante pela autorização para transporte ao hospital. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, concedeu a permissão para a realização dos exames apenas na quarta-feira, dia 7.
Críticas e relatos sobre a saúde de Bolsonaro
Na mesma noite, em uma conversa com jornalistas em frente à Superintendência da Polícia Federal, Michelle elevou o tom de suas críticas, afirmando que o marido estava sendo “negligenciado”. Ela classificou a situação como “tortura” e alegou que “a saúde e a vida” de Bolsonaro estavam “nas mãos do Procurador-Geral da República”, em função da demora na liberação dos exames após a queda.
A ex-primeira-dama ainda mencionou que o ex-presidente não conseguia se recordar do tempo em que esteve desacordado e que a Polícia Federal não teria autonomia para transportá-lo ao hospital sem uma ordem judicial. Ela também relembrou episódios anteriores de apneia que Bolsonaro já havia apresentado em casa e destacou que o atendimento na custódia “não é rápido” e está “abaixo do necessário”.
Carlos Bolsonaro, um dos filhos do ex-presidente, fez um relato público pormenorizado, apresentando uma cronologia dos eventos e descrever a condição do pai, que apresentava um hematoma no rosto, sangramento no pé e sinais de confusão mental. Os irmãos de Jair, Renan, Eduardo e Flávio, apoiaram as mensagens publicadas. Flávio chegou a afirmar: “Se algo acontecer com o meu pai hoje, o culpado tem nome e sobrenome”.
A avaliação médica e a decisão judicial
De acordo com informações da Polícia Federal, o atendimento médico inicial indicou que Bolsonaro estava consciente, orientado e sem sinais de déficit neurológico, embora apresentasse escoriações e leve desequilíbrio ao se manter em pé. Apesar desse diagnóstico relativamente leve, o histórico recente de cirurgias, o uso de CPAP e a medicação para o sistema nervoso central foram considerados na última decisão do ministro Moraes.
No dia da queda, Moraes negou o primeiro pedido da defesa para que Bolsonaro fosse levado ao hospital, justificando que o laudo inicial não apontava urgência. Contudo, a autorização concedida na quarta-feira se deu após os advogados apresentarem um parecer do médico particular Brasil Ramos Caiado, que indicou que o quadro do ex-presidente poderia ser compatível com traumatismo craniano leve e levantou a possibilidade de síncope noturna ou crise convulsiva, cuja origem ainda precisava ser esclarecida. Com isso, foram solicitados exames como tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma.
Ao autorizar o deslocamento para o hospital, Moraes determinou que a Polícia Federal realizasse o transporte de forma discreta, utilizando as garagens do hospital para entrada e garantindo vigilância durante os exames e no retorno à custódia. No despacho, o ministro lembrou que Bolsonaro já conta com atendimento médico constante no local, conforme decisão anterior.


