A importância do uso consciente da água
O recente aumento no consumo de água na Grande São Paulo, em meio a uma severa onda de calor, levou o Governo do Estado a reforçar a necessidade de uso responsável desse recurso. Pequenas ações do cotidiano, como escovar os dentes, tomar banho e lavar louça de maneira mais eficiente, podem resultar em economias significativas de água, aliviando a pressão sobre o sistema de abastecimento.
Atualmente, as represas do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) estão operando com apenas 27,4% de sua capacidade, uma situação que se agrava com a estiagem. As previsões climáticas para este mês indicam a possibilidade de chuvas abaixo da média, o que pode dificultar a recuperação dos mananciais que abastecem a região metropolitana.
Medidas práticas para economizar água
Veja a seguir algumas dicas simples que podem fazer uma grande diferença na economia de água:
- Escovar os dentes com torneira fechada: Essa prática pode economizar até 12 litros de água por vez, o que equivale a 24 garrafinhas de 500 ml ou, se preferir, seis panelas cheias de arroz.
- Banhos mais curtos: Reduzir o tempo do banho em 5 minutos pode resultar em uma economia de até 80 litros de água, o que é suficiente para a hidratação de uma pessoa por aproximadamente 40 dias.
- Ensaboar louça com torneira fechada: Essa abordagem pode gerar uma economia de até 80 litros de água, equivalente a dez banhos rápidos.
- Lavar o carro com balde: Optar por essa técnica em vez de usar a mangueira pode resultar em uma economia impressionante de até 300 litros de água, semelhante ao volume de uma caixa d’água pequena.
Modelo avançado de gestão hídrica na Grande São Paulo
A partir de 2025, a Grande São Paulo implementará um modelo inovador de acompanhamento e gestão dos recursos hídricos, com o objetivo de proteger os reservatórios e garantir o abastecimento da população. Essa nova metodologia do Governo do Estado estabelece sete faixas de atuação, definidas de acordo com os níveis de reservação durante períodos de chuvas e estiagem.
O planejamento dessas ações é elaborado com base em projeções que consideram aspectos como os patamares de segurança dos reservatórios, o volume de chuvas e o consumo. A SP Águas monitora continuamente essas variáveis, permitindo a atualização constante das projeções conforme as mudanças nos cenários.
As faixas de atuação são definidas a partir de uma curva de projeção de 12 meses e as medidas previstas são aplicadas conforme necessário ao longo do ano, visando a segurança dos reservatórios. As sete faixas representam escalas de criticidade, orientando as ações a serem adotadas em diferentes cenários.
Faixas de atuação: medidas a serem adotadas
A gestão da água segue um plano rigoroso, onde as restrições são aplicadas somente após sete dias consecutivos de índices em uma mesma faixa. O relaxamento das medidas ocorre após 14 dias de retorno a um cenário menos rigoroso. As faixas são:
- Faixa 1: Foco em prevenção e início do Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA).
- Faixa 2: Estabilidade em níveis de água, mas em queda; implantação da Gestão de Demanda Noturna (GDN) de 8 horas e reforço no combate a vazamentos.
- Faixa 3: Cenário de atenção; GDN ampliada para 10 horas e intensificação das campanhas de conscientização.
- Faixa 4: Reservatórios abaixo da curva de segurança; redução de pressão na rede por 12 horas e monitoramento constante.
- Faixa 5: Níveis críticos; redução de pressão por 14 horas e priorização do abastecimento a serviços essenciais.
- Faixa 6: Alta criticidade; redução de pressão por 16 horas e controle máximo para preservar os mananciais.
- Faixa 7: Cenário extremo; rodízio de abastecimento entre regiões e suporte com caminhões-pipa para serviços prioritários.
Desde agosto, a Região Metropolitana de São Paulo adota uma gestão de demanda noturna de 10 horas, das 19h às 5h, com o intuito de preservar os mananciais. Desde sua implementação, essa medida resultou em uma economia de mais de 70 bilhões de litros de água, o que equivale ao consumo mensal de 12,33 milhões de pessoas.


