Atrasos na Entrega de Medicamentos de Alto Custo
Pacientes cadastrados que dependem de medicamentos de alto custo fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam sérios problemas de abastecimento. No início deste ano, prefeituras de cidades como Mairinque, Salto e São Roque, localizadas na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), informaram nas redes sociais oficiais que estão enfrentando a falta de medicamentos. Situações semelhantes foram relatadas em Sorocaba e Votorantim, onde pacientes buscam medicamentos desde o final do ano passado sem sucesso nas unidades de distribuição.
A Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo assegurou que o estoque de medicamentos em Sorocaba está regularizado, mas problemas logísticos na distribuição têm contribuído para a escassez de medicamentos.
A Prefeitura de Mairinque, por meio de suas redes sociais, reiterou que a entrega de alguns medicamentos de alto custo está atrasada. “Devido a questões logísticas, a entrega dos medicamentos fornecidos pela Diretoria Regional de Saúde (DRS) de Sorocaba vai sofrer atraso”, informou a administração municipal, que também anunciou o reagendamento para a retirada dos medicamentos pelos pacientes.
Em Salto, a prefeitura emitiu uma nota afirmando que a responsabilidade pela aquisição e distribuição de certos medicamentos de alto custo é do Governo do Estado, uma situação que, conforme afirmaram, impacta não apenas Salto, mas outros municípios também. A Secretaria da Saúde local está acompanhando a situação junto aos órgãos competentes e, recentemente, anunciou que alguns medicamentos já foram reabastecidos, convocando os pacientes para a retirada, embora tenha destacado que, dada a alta demanda, pode haver demora nos atendimentos.
Problemas de Logística e Impactos nos Pacientes
A Prefeitura de São Roque também comunicou, através das redes sociais, que os atrasos na entrega de medicamentos de alto custo estaduais estão afetando a população. O Departamento de Saúde informou que o Centro de Saúde II realizaria a entrega de medicamentos na data prevista, dependendo da entrega da Farmácia de Alto Custo de Sorocaba.
Por sua vez, a Prefeitura de Votorantim declarou que mais de mil pacientes estão aguardando a medicação. Segundo a nota, o atraso se deve a uma reestruturação da equipe da farmácia de Sorocaba, além de problemas logísticos com o Estado. A previsão é que um novo lote de medicamentos chegue à cidade até o dia 26 de janeiro, e a retirada está sendo organizada com data e horário agendados, para minimizar o tempo de espera dos pacientes.
Em relação à situação de Sorocaba, a prefeitura destacou que a responsabilidade sobre o repasse dos medicamentos é da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo.
Esclarecimentos da Secretaria da Saúde
A Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo (SES-SP) emitiu um comunicado afirmando que o estoque da Farmácia de Alto Custo de Sorocaba está regularizado e que uma força-tarefa está em andamento para assegurar a dispensação normal dos medicamentos tanto para o município quanto para outras cidades da região. Sorocaba conta com cerca de 72 mil pacientes cadastrados, o que aumenta a complexidade da logística.
A SES-SP também explicou que o atraso na entrega dos medicamentos foi causado por um processo licitatório realizado em outubro de 2025, que resultou na troca do operador logístico. “Em operações de grande porte, ajustes são inevitáveis e visam melhorar os fluxos de trabalho, assegurar a regularidade do abastecimento e garantir a disponibilidade dos medicamentos”, informaram. Uma das medidas tomadas foi a contratação emergencial de um novo operador logístico.
Relatos de Pacientes e Consequências da Falta de Medicamentos
Pacientes que preferem não se identificar relatam a angústia de não conseguir encontrar os medicamentos necessários. Uma delas, diagnosticada com artrite reumatóide, mencionou a urgência de sua medicação mensal: “Eu tenho que tomar uma injeção por mês. Em novembro eu não tomei, fui tomar no dia 10 de dezembro, e hoje, dia 12 de janeiro, já deveria ter tomado, mas não tem a medicação disponível. É complicado”, desabafou.
Essa paciente destacou que a falta do remédio pode trazer de volta os sintomas e a dor. “Imagine como estão as outras pessoas. Muitas estão voltando atrás na sua recuperação”, lamentou. Outra paciente relatou que não conseguiu encontrar o medicamento em sua cidade e, mesmo ao buscar em outra farmácia de alto custo, não teve êxito. “O preço dos remédios é altíssimo, não dá para comprar”, afirmou.


