Parceria Internacional para Desenvolvimento Sustentável
O Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (SEMIL), anunciou uma parceria com o Swedfund International AB, instituição ligada ao governo da Suécia. O acordo, firmado nesta quinta-feira (22), visa promover estudos técnicos voltados para a ampliação da oferta de biometano no estado. Entre os objetivos, destacam-se a avaliação dos investimentos necessários para a construção de novos gasodutos de biometano e a análise do potencial de recuperação do digestato, um subproduto gerado na digestão anaeróbica que é rico em nutrientes, além de propor modelos de negócio para a produção e comercialização de biofertilizantes orgânicos.
A parceria internacional, que contará com um suporte financeiro de aproximadamente R$ 5 milhões, será custeada integralmente pelo governo sueco e envolverá serviços de consultoria de especialistas nas áreas de energia, infraestrutura e biometano. “Essa colaboração é de extrema importância, pois o potencial de produção de biometano em São Paulo é elevado e pode ser um instrumento fundamental na luta contra as mudanças climáticas”, afirmou Natália Resende, secretária da SEMIL.
Impulsionando a Economia e Sustentabilidade
A iniciativa não se limita apenas à produção de biometano; ela também visa reduzir a emissão de gases de efeito estufa e promover a geração de empregos no estado. O projeto está alinhado com o Plano de Ação Climática 2050 (PAC 2050) e com o Plano Estadual de Energia 2050 (PEE 2050), ambos que focam na descarbonização e no uso de fontes de energia renováveis.
O Swedfund, por sua vez, é conhecido por financiar estudos e realizar investimentos sustentáveis em países em desenvolvimento, especialmente nas áreas de energia e clima. Em colaborações anteriores com o governo paulista, a instituição já desenvolveu estudos de caso sobre a produção de biometano usando resíduos de estações de tratamento de esgoto e aterros sanitários, visando a sua utilização como combustível em transporte coletivo.
Avançando em Tecnologias Limpas
Maria Håkansson, CEO do Swedfund, enfatizou a continuidade dessa parceria, que demonstra a viabilidade da produção sustentável de biogás a partir de resíduos. “Nossos esforços conjuntos irão apoiar o desenvolvimento de políticas públicas e fornecer ferramentas de planejamento estratégico, possibilitando a expansão das redes de gás renovável”, comentou Håkansson.
Legislação Favorável para o Biometano
A Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (ARSESP) publicou, em dezembro de 2025, uma norma que facilitará a interconexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado. Com a implementação da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição-Verde (TUSD-Verde), os custos da interconexão serão custeados apenas pelos fornecedores de biometano, incentivando a ampliação da infraestrutura de biogás sem onerar os demais usuários.
Essa regulação também se alinha à Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC), que visa aumentar a participação de fontes renováveis na matriz energética de São Paulo, e ao Plano Estadual de Energia (PEE), que reconhece o biometano como uma das principais estratégias para atingir esses objetivos.
Estudos Revelam Potencial de Produção
Recentemente, um estudo realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), com apoio da SEMIL, apontou que o estado possui um potencial de produção de biometano de 6,4 milhões de metros cúbicos por dia. Essa quantidade poderia gerar até 20 mil empregos diretos e indiretos, além de impulsionar uma nova cadeia industrial focada em equipamentos e serviços relacionados ao biogás.
Dentre os benefícios adicionais, destaca-se a possibilidade de substituição parcial de combustíveis no setor de transporte, com uma redução de até 16% nas emissões de carbono em comparação ao uso de óleo diesel. O estudo indicou que mais de 80% do potencial produtivo paulista está concentrado no setor sucroenergético, que aproveita resíduos da produção de açúcar e etanol para gerar biogás e biometano.
Atualmente, o biometano já desempenha um papel importante em São Paulo, sendo utilizado como insumo na produção de fertilizantes, fonte de energia em processos industriais e combustível para frotas de transporte de cargas e passageiros.


