Ampliação de Investimentos e Modernização em Congonhas
Em um marco que promete reformular a infraestrutura aeroportuária brasileira, a gigante espanhola Aena conquistou o leilão de repactuação da concessão do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, mais conhecido como Galeão, com uma oferta impressionante de R$ 2,9 bilhões. Essa vitória representa não apenas uma expansão em seu portfólio, mas também o fechamento de um ciclo estratégico: ao assumir o Galeão, que se posiciona como o terceiro terminal mais movimentado do Brasil, a Aena já opera o Aeroporto de Congonhas em São Paulo, consolidando sua influência no setor.
A Aena, que já gerencia 17 aeroportos no Brasil e possui 46 terminais na Espanha, vê o Brasil como um mercado essencial para sua internacionalização, respondendo por cerca de 20% da malha aérea nacional. O Aeroporto de Congonhas, o principal ativo da empresa no país, teve um fluxo de 24,5 milhões de passageiros no último ano, refletindo um crescimento de 5,9% em relação ao ano anterior.
Para modernizar e atender a essa crescente demanda, a Aena anunciou um plano robusto de investimento de R$ 2,4 bilhões em Congonhas, o maior aporte unitário de sua história fora da Espanha. Este investimento não se limita a reformas estruturais, mas visa uma transformação significativa na maneira de operar o aeroporto, priorizando a conversão da alta intensidade de passageiros em receitas comerciais diretas.
Uma Nova Filosofia de Gestão Focada no Consumidor
Ainda antes de iniciar as grandes obras de engenharia, a concessionária já iniciou a implementação de uma nova filosofia de gestão em Congonhas, centrada na rentabilidade por metro quadrado. Essa abordagem já é evidente na ampliação de áreas dedicadas ao comércio e serviços no terminal.
O objetivo é alterar o perfil do usuário de Congonhas, que historicamente atrai viajantes de negócios que chegam em cima da hora. Santiago Yus, CEO da Aena no Brasil, enfatiza a vontade de fazer com que o passageiro reconheça o valor de chegar mais cedo. “Queremos que o conforto e a diversidade de opções incentivem um aumento natural no gasto médio por pessoa. A experiência de consumo deve ser atrativa e não apenas uma necessidade de última hora”, explicou.
Até 2028, a Aena tem como meta duplicar a área destinada a lojas, restaurantes, free shops e salas VIP, com obras já em andamento. Essas transformações fazem parte de um plano de R$ 2 bilhões voltado para a ampliação do terminal e o aumento do fluxo de passageiros.
Reestruturação Completa do Aeroporto de Congonhas
Embora a conquista do Galeão represente um avanço significativo, Congonhas será a vitrine das ambições da Aena. A concessionária alocou R$ 2,4 bilhões para uma reestruturação abrangente do aeroporto, com conclusão prevista para junho de 2028. Este projeto busca resolver a disparidade entre a infraestrutura disponível e a alta demanda por serviços.
Entre as melhorias planejadas, a ampliação do pátio de 30 para 37 posições de estacionamento terá um impacto positivo na capacidade, que deverá chegar a 30 milhões de passageiros anuais. O terminal, que atualmente possui 40 mil m², será expandido para mais de 100 mil m², e o número de pontes de embarque aumentará de 12 para 19, garantindo que pelo menos 70% dos passageiros embarquem sem a necessidade de transporte por ônibus. Além disso, a eficiência da logística de bagagens será aprimorada, passando de três para dez carrosséis de processamento.
Etapas da Reestruturação e Novas Conexões Internacionais
A reestruturação de Congonhas segue um cronograma dividido em cinco etapas: a entrega de hangares provisórios e novos terminais de carga, a construção do novo terminal de passageiros e revitalização do hangar tombado, a montagem tecnológica com a instalação das pontes de embarque e sistemas inteligentes de bagagem, a finalização da área remota e ampliação do desembarque, até a inauguração do complexo modernizado com novas pistas de taxiamento.
Enquanto isso, a Aena já iniciou a ampliação da área de embarque remoto, que aumentou de 1,4 mil m² para 3,3 mil m², proporcionando novos espaços para lojas e cafés. Uma expectativa crescente também recai sobre a reinvenção do caráter internacional de Congonhas, com a possibilidade de receber aeronaves maiores como o Airbus A321neo e o Boeing 737 Max 10, possibilitando voos diretos para cidades como Buenos Aires, Santiago e Montevidéu, rotas que foram descontinuadas em 1985. Para completar essa visão, a acessibilidade será aprimorada com a chegada do monotrilho, cuja estação integrada ao aeroporto facilitará a conexão com o metrô de São Paulo. Essa nova infraestrutura promete aliviar um dos maiores desafios históricos do terminal, o trânsito complicado da Avenida Washington Luís, e potencializar o plano da Aena de atrair passageiros com mais antecedência.


