Orientações essenciais para garantir conforto e segurança a indivíduos com Transtorno do Espectro Autista
As festividades de final de ano, repletas de confraternizações, reuniões familiares e ambientes vibrantes, podem ser desafiadoras para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essas celebrações, marcadas por decorações exuberantes, músicas altas e uma agitação constante, tendem a provocar uma sobrecarga sensorial, especialmente em crianças. Este cenário exige cuidados especiais para que indivíduos com TEA possam se sentir confortáveis e seguros.
A psicóloga Bruna Evelin Oliveira Silva, que atua no Centro TEA Paulista, alerta que esse período de intensas interações sociais pode resultar em ansiedade, irritabilidade e até crises emocionais. Para evitar essas reações, é crucial antecipar as mudanças que ocorrem na rotina, como horários de sono e alimentação. “Crianças com TEA geralmente precisam de previsibilidade e estrutura para se sentirem seguras. Mudanças inesperadas, como visitas ou alterações na rotina escolar, podem gerar estresse. Por isso, a comunicação prévia é fundamental”, explica Bruna.
Ela recomenda que os responsáveis conversem sobre as atividades que ocorrerão nas festas utilizando uma linguagem clara e objetiva. A inclusão de recursos visuais, como fotos ou desenhos das atividades programadas, pode fazer toda a diferença na compreensão e aceitação das mudanças. O diálogo deve ser feito com antecedência, esclarecendo que se trata de uma situação temporária.
A sobrecarga sensorial, associada ao ambiente festivo, pode levar ao que os especialistas chamam de shutdown ou meltdown. No primeiro caso, a criança se retrai e busca isolamento; no segundo, pode ocorrer uma explosão emocional, acompanhada de choro, gritos ou comportamentos agressivos. “É essencial evitar pressão ou cobranças. É importante estabelecer acordos claros e respeitar os limites da criança, validando seus sentimentos durante as festas”, detalha a psicóloga Melissa Ferreira, também do Centro TEA Paulista.
Outro ponto importante é reconhecer que cada criança com TEA é única. Suas sensibilidades, formas de comunicação e necessidades variam de acordo com sua individualidade. Portanto, as orientações devem ser adaptadas conforme a realidade de cada família e as características de cada criança.
Segue algumas dicas que podem ser valiosas durante o período festivo:
- Festas fora de casa: Crie um “cantinho seguro”. Esse espaço tranquilo deve conter objetos que auxiliem na autorregulação, como brinquedos favoritos, um cobertor, fones que abafem os ruídos ou uma iluminação mais suave. É vital que a criança saiba que pode utilizar esse espaço sempre que se sentir sobrecarregada.
- Orientação a visitas e parentes: Converse com os convidados sobre como cumprimentar e interagir com a criança, sempre respeitando seu espaço pessoal. Sugestões incluem cumprimentos verbais sem exigir resposta imediata e perguntar antes de fazer contato físico, como um abraço.
- Elogios e incentivos: Devem ser feitos de forma clara e concisa, preferencialmente relacionados a comportamentos específicos. Evite excessos, pois isso pode incomodar a criança.
- Expectativas realistas: Deixe claro que a criança pode não participar de todas as atividades, e isso deve ser aceito por todos os envolvidos.
O Centro TEA Paulista, inaugurado em junho de 2025, se estabelece como um espaço dedicado a acolher e atender pessoas com Transtorno do Espectro Autista e suas famílias. Com apenas seis meses de funcionamento, já foram realizados mais de três mil atendimentos, consolidando-se como referência no estado para inclusão e apoio a essas famílias.
Localizado na Vila Leopoldina, na zona oeste da capital paulista, o centro é parte de uma estratégia da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) para fortalecer a rede de acolhimento e apoio a pessoas com deficiência em todo o estado. Desde sua abertura, o centro já atendeu mais de 800 pessoas, oferecendo suporte multidisciplinar e articulação com políticas de saúde, educação e assistência social.


