Um Mosaico Cultural de Sorocaba
No contexto da Frestas – Trienal de Artes, a cidade de Sorocaba se destaca com a participação de diversos artistas locais que trazem suas experiências e visões em obras que dialogam com a cultura e a ancestralidade. Entre os representantes está Douglas Emílio, um criador multifacetado que atua nas áreas de dança, teatro e audiovisual.
Em sua instalação coreográfica, intitulada “Dança um rio onde eu nasci”, Douglas estabelece uma conexão profunda com o Rio Sorocaba, situado no território de Votorantim. Essa obra convida o público a participar de uma experiência interativa, onde podem mover, tocar e reorganizar personagens inspirados nas narrativas que o artista colhe ao longo do rio.
Raízes Ancestrais e Sonoridades Afro-Diaspóricas
Outro destaque é a Família Marciano’s Sound, que apresenta a instalação sonora “Um Encontro de Ancestralidade com Fé, Força e Raiz”. Através de uma colaboração com o Samba de Roda da Serrinha, de Goiânia, essa obra surge da intersecção das tradições afro-diaspóricas, refletindo as práticas do samba de terreiro, entre outros estilos. A proposta reafirma a negritude e a importância da memória coletiva, seguindo os ensinamentos do princípio Sankofa, que incentiva a busca pelo passado para construir um futuro mais forte.
O coletivo House of Avalanx, em parceria com o MOVIHT PE, também apresenta sua contribuição com a obra “Solo vibra, terreno fértil”. Nesse projeto, são evidenciadas as lutas e ações coletivas em defesa dos direitos da população LGBTQIAP+, com foco especial nas experiências de pessoas trans, travestis, negras e originárias, promovendo um espaço de resistência e empoderamento.
Interações Imersivas e Histórias de Resistência
A artista Flávia Aguilera, em colaboração com Lucilene Wapichana e Roseane Cadete, traz a obra “A Cura do Fio”. Este grande mapa têxtil imersivo permite que o público interaja com objetos, textos e imagens que revelam a rica trajetória de resistência e luta que envolve a história dos fios e suas conexões com o passado.
A instalação “Memória da Terra” destaca o legado das irmandades negras, como a Irmandade do Rosário dos Homens Pretos de Sorocaba e a Irmandade de São Benedito de Itu. A obra explora o papel dessas associações comunitárias, que, desde o período colonial, atuaram como suporte espiritual e social na busca pela liberdade. A instalação é um tributo às memórias e à importância dessas irmandades na região.
Reflexões sobre o Tempo e o Espaço
Júlio Veredas apresenta a instalação “O Rio que Rasga a Minha Cidade”, que se inspira na filosofia de Heráclito. A obra propõe uma reflexão sobre a passagem do tempo e a ancestralidade do Rio Sorocaba, comparando sua fluidez a uma ampulheta, onde cada momento é único e renovador. A instalação evoca a memória das águas que compõem o corpo do rio, ressaltando sua importância para a região.
Conexões entre Comunidades e Territórios
“Tapiri Mura = Espaço de Encontro Indígena e Quilombola”, de Cíntia Delgado, é uma instalação arquitetônica que reúne práticas e saberes de comunidades amazônicas e quilombolas. O tapiri, uma moradia tradicional, simboliza a união e resistência dessas comunidades, que, mesmo distantes, compartilham histórias de luta pela demarcação de suas terras.
A instalação sonora “Terra Rasgada, Água Grande”, fruto da parceria entre o coletivo SLAM015 e o Instituto de Práticas Desobedientes, traz à tona a experiência estética da vida negra, unindo as narrativas dos rios Sorocaba e Paraguaçu. A obra utiliza voz e presença para tecido sonoro que fala sobre os encontros e desencontros entre os dois territórios.
Pulsação Cultural e o Movimento do Rap
Por fim, a obra “Raízes Jambo 28”, da Sociedade Cultural e Beneficente 28 de Setembro, juntamente com Márcio Brown, reinventa a história da cidade através do rap, reconhecendo sua relevância na trajetória cultural da população negra. Com raízes firmes que alimentam novas gerações, a obra reafirma a potência da música como forma de expressão e resistência.
Além de seus notáveis talentos, Zezinho Lima se destaca como um dos artistas que começou sua jornada no final dos anos 60 no Clube Amigos das Artes. Ele explora o movimento dos corpos e as dinâmicas sociais em suas obras, tomando como foco o samba e a vida urbana, revelando um olhar crítico e poético sobre o cotidiano.


