Mãe e Filha: Uma Dupla Criativa no Sesc
No Sesc São Paulo, um ateliê se torna um espaço vibrante de criação e compartilhamento. Nesse contexto, Lucia Maria de Oliveira e sua filha, Denise de Oliveira, iniciam um processo colaborativo que transforma o local em um verdadeiro laboratório de ideias e arte. O público tem a oportunidade de adentrar nesse ambiente inspirador, onde pode acompanhar de perto a produção artística e interagir diretamente com as criadoras. Essa dinâmica cria um clima de troca, escuta e convivência, essencial para a fruição da arte.
Lucia Maria de Oliveira, uma multiartista com raízes em São Miguel Arcanjo e Sorocaba, traz em suas obras uma rica tapeçaria de experiências. Mãe de três mulheres negras, suas esculturas são reflexos das memórias rurais que moldaram sua infância, assim como das vivências urbanas que vivenciou. Cada peça é uma evocação das trajetórias diversas e significativas que permeiam a história das pessoas negras, revelando a riqueza cultural e a profundidade emocional que essas narrativas carregam.
Explorando a Ancestralidade Através da Arte
Denise de Oliveira, também multiartista e pesquisadora, complementa essa experiência com seu trabalho que dialoga diretamente com as tradições afro-brasileiras. Nascida em Sorocaba, Denise cresceu imersa em um ambiente onde as tradições negras são parte fundamental da identidade familiar. Suas criações exploram a ancestralidade Nagô, refletindo sobre a religiosidade e as memórias que compõem a vida de mulheres negras em sua trajetória pessoal.
O ateliê, portanto, não é apenas um espaço físico, mas uma manifestação de resistência e reinvenção. Denise investiga as representações de mulheres negras nas narrativas afro-diaspóricas, buscando dar visibilidade a essas vozes muitas vezes silenciadas. Através de sua poética, ela celebra a relação entre território e memória, trazendo à tona a importância de reconhecer e valorizar a diversidade de experiências que constituem a identidade afro-brasileira.
Um Convite à Participação e Reflexão
O encontro promovido no Sesc convida o público a não apenas observar, mas também a vivenciar a arte de forma ativa. A oportunidade de interagir com as artistas permite que cada visitante se sinta parte desse processo criativo, estimulando um diálogo que ultrapassa os limites da arte e se adentra nas questões sociais e culturais que cercam a produção artística contemporânea.
Assim, o ateliê se firma como um espaço de resistência, um local onde a arte é um veículo de transformação e um convite à reflexão. Com a mediação de Lucia e Denise, as histórias e os desafios enfrentados pela comunidade negra são trazidos à tona, promovendo um ambiente de empoderamento e troca cultural enriquecedora. À medida que os visitantes se envolvem na experiência, tornam-se parte de uma narrativa coletiva que celebra a riqueza da diversidade e a força da criação artística.


