Aumento Alarmante nos Ataques de Abelhas
Os ataques de abelhas têm se tornado uma preocupação crescente no Brasil, configurando-se como um verdadeiro problema de saúde pública. Dados recentes indicam que, nos últimos três anos, os registros de incidentes envolvendo esses insetos aumentaram cerca de 80% em todo o país, resultando em um número alarmante de mortes, que mais que dobraram. Essas informações foram compartilhadas pelo Dr. Rui Seabra Ferreira Júnior, médico-veterinário e diretor do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp, em Botucatu. Na região de Sorocaba, por exemplo, duas mortes de idosos devido a ataques de abelhas foram registradas desde setembro, uma em Itapetininga e outra em Salto de Pirapora.
O Dr. Seabra destaca que essa tendência não é novidade e se alinha com dados coletados pelo Ministério da Saúde nas últimas duas décadas. “O aumento dos acidentes com abelhas é um fenômeno que vem se consolidando ao longo dos anos”, afirma. Ele lista diversos fatores que contribuem para esse crescimento, como as altas temperaturas, o desmatamento, o uso de defensivos agrícolas que forçam a migração dos insetos, a expansão da atividade apícola e, especialmente, a falta de capacitação entre criadores de abelhas na condução adequada de seus manejos.
Particularidades dos Acidentes
Embora os incidentes relacionados a abelhas sejam frequentes, o pesquisador acredita que os números recentes não necessariamente refletem uma disseminação maior do risco na região de Sorocaba. “São Paulo é um importante polo produtor de mel e produtos derivados, o que naturalmente resulta em um maior número de acidentes em comparação a outras áreas do Brasil”, aponta o especialista.
Casos fatais são frequentemente associados à quantidade de picadas sofridas pelas vítimas e ao comportamento agressivo das abelhas, especialmente durante a migração dos enxames. “Quando se deparam com obstáculos, como pessoas ou animais, esses enxames podem reagir de maneira intensa, ocasionando ataques coletivos”, acrescenta Seabra.
Grupos Vulneráveis e Recomendações de Segurança
A vulnerabilidade aos efeitos do veneno de abelha é acentuada em idosos, crianças, e indivíduos que apresentam alergias ou outras comorbidades. Por isso, é fundamental evitar qualquer tentativa de aproximação ou provocação aos insetos. “Se você se deparar com um enxame, a recomendação é afastar-se do local em silêncio, sem fazer movimentos bruscos ou lançar objetos. A melhor atitude é acionar o Corpo de Bombeiros ou a autoridde responsável na sua cidade”, salienta Rui Seabra.
Importância da Prevenção
Um recente incidente em Tapiraí, embora sem vítimas, ressalta a relevância de ações preventivas. Em 26 de dezembro, um morador do bairro do Turvo acionou a Defesa Civil Municipal ao avistar um enxame de vespas próximo a um playground. O coordenador da Defesa Civil de Tapiraí, Danilo da Silva Faria, relatou que a área foi prontamente interditada, reduzindo o risco para as crianças. Além disso, a equipe mobilizou a imprensa para disseminar informações sobre a situação através das redes sociais.
Um apicultor foi chamado para realizar a remoção do enxame, e após a dedetização e averificação do local, o espaço foi liberado sem que houvesse registros de ferimentos ou picadas. Este caso sublinha a importância de uma resposta rápida e coordenada em situações que envolvem a presença de insetos potencialmente perigosos.
Desenvolvimento de Soro Específico
Apesar de já existirem soros para picadas de serpentes, aranhas e escorpiões, o desafio das picadas de abelhas africanizadas ainda não conta com um antídoto específico. No entanto, o Cevap está em fase avançada de desenvolvimento de um soro. “Estamos próximos de finalizar a fase 3 de testes clínicos do Soro Antiapílico, que é a etapa final antes da possível distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e até para exportação”, declarou o pesquisador. A expectativa é que, uma vez aprovado, o soro possa contribuir significativamente para a redução da mortalidade associada a esses acidentes.


