Transformação do Bandes em Prol da Sustentabilidade
O Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), com uma trajetória consolidada no fomento ao desenvolvimento econômico tradicional, está passando por uma significativa reestruturação. A instituição visa reforçar sua relevância no cenário econômico capixaba, alinhando-se às novas demandas do sistema financeiro global. Nesse contexto, o Bandes se reposiciona como um banco voltado para negócios sustentáveis, focando em projetos que promovam a transição energética e a sustentabilidade ambiental.
Essa mudança de enfoque vem em um momento em que o mundo revisita seus modelos produtivos, especialmente sob a luz dos desafios impostos pela sustentabilidade dos combustíveis fósseis. O Bandes se compromete a consolidar sua nova identidade, imitando o movimento global dos green banks, instituições financeiras que direcionam recursos para iniciativas de baixo impacto ambiental e potencial de retorno a longo prazo.
Em diversas partes do mundo, esses bancos têm encontrado espaço à medida que governos e mercados investem mais em fontes de energia renováveis e soluções que equilibram o crescimento econômico com a responsabilidade socioambiental.
No Espírito Santo, a trajetória do Bandes nos últimos anos tem sido marcada pelo fortalecimento de políticas públicas que visam à transição energética, integrando a sustentabilidade como um pilar fundamental de sua estratégia.
Alinhamento Estratégico e Iniciativas Futuras
A instituição está buscando um alinhamento mais eficaz entre as políticas públicas estaduais e a criação de instrumentos financeiros que possibilitem um novo perfil de projetos de investimento. Esses projetos são orientados por critérios ambientais, sociais e de governança (ESG), demonstrando um compromisso concreto com a sustentabilidade.
Ao se reorganizar como um banco dedicado a negócios sustentáveis, o Bandes amplia seu papel como agente indutor do desenvolvimento econômico local. A instituição agora está mais bem equipada para contribuir para uma economia capixaba que seja resiliente, inovadora e capaz de enfrentar os desafios climáticos e energéticos que se avizinham.
Com base em relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU), as instituições financeiras de desenvolvimento regionais, como o Bandes, têm se destacado na implementação de ações voltadas para um futuro de baixo carbono, mais do que as estruturas nacionais. No Brasil, onde a presença de bancos de desenvolvimento é limitada, o Bandes se torna um parceiro estratégico fundamental para o Governo do Estado.
Definições e Iniciativas do Bandes para se Tornar um Banco Verde
Para ser classificado como um banco verde, conforme a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma entidade pública ou sem fins lucrativos deve promover investimentos em infraestrutura que sejam resilientes ao clima e de baixa emissão de carbono. O Bandes se compromete a criar instrumentos financeiros inovadores, aplicando técnicas de redução de risco e utilizando seu conhecimento local e de mercado.
Marcelo Saintive, diretor-presidente do Bandes, destaca que a transição para uma economia de baixo carbono exige articulação, planejamento de longo prazo e uma abordagem inovadora. O avanço do Bandes em direção a um “banco verde” representa um passo significativo para o estado, promovendo a liderança na transformação da economia capixaba.
“A decisão do estado de incorporar a neutralidade de carbono como parte da estratégia de desenvolvimento coloca o Bandes na liderança dessa transformação. O banco está implementando um portfólio variado de soluções financeiras, ferramentas de crédito e parcerias alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, para direcionar investimentos e apoiar a transição para uma economia sustentável”, afirma Saintive.
Ações Práticas e Programas em Curso
Desde que o Espírito Santo aderiu, em 2021, à campanha global Race to Zero, o Bandes tem delineado ações que visam conduzir o estado a um futuro sustentável e responsável socialmente. O banco criou produtos e linhas de crédito, como o Bandes ESG Debêntures e o Programa de Financiamento para a Construção de Pequenas Barragens, que têm relação direta com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
O Fundo de Descarbonização, que ainda está para ser oficialmente ativado, integra o Plano de Descarbonização e Neutralização das Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) do estado, que visa a redução de 27% nas emissões até 2030 e a neutralidade até 2050. O fundo, supervisonado pelo Bandes, recebeu um aporte inicial de R$ 500 milhões do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses), e o gestor BTG Pactual também anunciou um investimento adicional de R$ 400 milhões, elevando o total destinado à transição energética para quase R$ 1 bilhão.
Continuando a Caminhada Rumo ao Desenvolvimento Sustentável
Os programas Bandes Solar e Baixo Carbono buscam incentivar o uso de fontes de energia renovável e apoiar projetos que aumentem a eficiência energética. Até o momento, o banco já aprovou mais de R$ 18,3 milhões em financiamentos para iniciativas variadas, abrangendo desde a reciclagem de resíduos até a energia hidrelétrica. Outras iniciativas, como o Programa Reflorestar, têm promovido a conservação e recuperação da cobertura florestal, com investimentos que ultrapassam R$ 100 milhões desde 2016.
O Bandes, ao se reposicionar como um banco sustentável, não só reforça sua relevância no cenário econômico, mas também estabelece um compromisso firme em construir um ambiente onde a sustentabilidade e o desenvolvimento caminhem lado a lado, garantindo um futuro mais verde e responsável para o Espírito Santo.


