Iniciativa do Governo para Valorização dos Profissionais de Saúde
A partir de agora, profissionais que atuam no programa Mais Médicos por quatro anos ininterruptos podem receber um bônus de permanência, como parte de uma estratégia do Ministério da Saúde. Essa medida, regulamentada por portarias baseadas na Lei nº 14.621/2023, visa reconhecer o esforço dos médicos que se dedicam a trabalhar em regiões de maior vulnerabilidade.
Estima-se que até 2026, o governo destine até R$ 288 milhões para esses bônus, beneficiando aproximadamente 12 mil profissionais. Para receber a indenização, os médicos devem completar quatro anos consecutivos de atuação em áreas críticas. O adicional pode variar entre 10% e 20% do valor atual da bolsa, que é de R$ 12.426 mensais, e será acumulado ao longo dos 48 meses. Para médicos formados pelo Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), a bonificação pode chegar a até 80% do valor da bolsa durante o mesmo período, desde que atuem nos locais estipulados pelas portarias.
Objetivos da Bonificação
A implementação do bônus de permanência tem como principal objetivo aumentar a estabilidade de profissionais nas áreas de difícil provimento, além de promover uma distribuição mais equitativa de médicos pelo país. Essa estratégia está alinhada com as recomendações da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que enfatizam a retenção de médicos em locais vulneráveis.
“Com a regulamentação divulgada no final de 2025, fica mais claro o processo de concessão das indenizações, trazendo previsibilidade e transparência. Nosso compromisso é garantir uma permanência qualificada na Atenção Primária à Saúde dentro do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirmou Jérzey Timóteo, secretário adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.
Critérios para Concessão e Valores do Bônus
A bonificação é condicionada ao tempo de atuação contínua no programa e ao perfil do município onde o médico presta serviços. Os percentuais são definidos por critérios objetivos e consideram não apenas a vulnerabilidade social, mas também o histórico de dificuldade de fixação de profissionais nas localidades. O valor de referência atual da bolsa do Mais Médicos é de R$ 12.426, e em áreas de maior vulnerabilidade, como nas regiões Norte e Nordeste, os médicos poderão receber até R$ 119 mil, equivalente a 20% do valor da bolsa multiplicado por quatro anos. Em outras regiões com dificuldade de fixação, o valor pode chegar a cerca de R$ 60 mil no mesmo período.
Além disso, para médicos que concluíram sua graduação com financiamento estudantil, o valor total do bônus pode atingir até R$ 477 mil ao final de quatro anos, dependendo do local de atuação. É importante ressaltar que esses valores são indenizatórios, sem implicações trabalhistas ou previdenciárias.
Como Solicitar o Bônus de Permanência
A solicitação do bônus deve ser feita obrigatoriamente na página do programa Mais Médicos a partir de fevereiro. Para solicitar a indenização, será necessário apresentar documentos como o extrato de benefícios da Previdência Social e, para os que se enquadram no financiamento estudantil, o contrato e um demonstrativo de evolução contratual.
Após o envio do pedido, o Ministério da Saúde terá um prazo de até 90 dias corridos para analisar e responder ao requerimento. Caso o pedido seja negado, o profissional poderá recorrer em até cinco dias úteis. Para mais informações ou esclarecimentos, dúvidas podem ser enviadas para o e-mail: maismedicos@saude.gov.br.
Ações para Valorização dos Médicos
O programa Mais Médicos abrange diversas ações destinadas a valorizar os médicos que permanecem em seus territórios, mantendo uma atuação constante junto à comunidade e aos usuários do SUS. As iniciativas incluem proteção social, incentivos à permanência e valorização profissional. O programa também introduziu a manutenção da bolsa durante os períodos de licença maternidade e paternidade, além de criar incentivos atrelados ao tempo de permanência em áreas de difícil fixação. O ciclo de permanência foi ampliado para quatro anos, o que facilita um cuidado contínuo e efetivo.
Além disso, o programa proporciona uma oferta educacional interligada ao serviço, permitindo especializações em medicina de família e comunidade pela Universidade Aberta do SUS, bem como opções de Mestrado e Doutorado Profissional. Essas medidas têm como objetivo proporcionar um ambiente que favoreça a continuidade do trabalho e a formação dos médicos, garantindo um acompanhamento eficaz das necessidades de saúde das comunidades ao longo do tempo, com maior previsibilidade e segurança.


