Reflexões sobre a carreira de Warren Buffett
Warren Buffett, um ícone no universo dos investimentos, desempenhou diversos papéis ao longo de sua trajetória: desde o Oráculo de Omaha até um carismático garoto-propaganda da Dairy Queen e Coca-Cola. Contudo, para muitos líderes empresariais, ele também foi um verdadeiro professor. Aos 95 anos, Buffett não é apenas um dos homens mais ricos do mundo, mas também um símbolo de sabedoria e pragmatismo nos negócios. David Ricks, CEO da Eli Lilly, o descreveu como parte do ‘Monte Rushmore dos líderes empresariais’, destacando a importância de seus ensinamentos ao longo da história.
A saída de Buffett do cargo de presidente da Berkshire Hathaway, anunciada nesta quarta-feira (31), marca o encerramento de uma era. Seu protegido, Greg Abel, assume a liderança a partir de quinta-feira (1°). Com a despedida do icônico investidor, muitos executivos compartilharam suas reflexões sobre os legados deixados por Buffett.
“Prever chuva não conta”
Como repórter, cobri inúmeras conferências de resultados, mas nenhuma se comparou àquelas da Berkshire Hathaway, em grande parte devido à habilidade de Buffett em se comunicar. Ele tinha a rara capacidade de expressar suas ideias de forma clara e direta, economizando palavras sem perder o humor. Steve Hafner, CEO da Kayak, elogiou a maneira como Buffett e seu parceiro, Charlie Munger, utilizavam uma linguagem simples para explicar conceitos complexos. O uso de humor seco tornava as cartas aos acionistas uma leitura prazerosa, repleta de verdades profundas como: ‘Só quando a maré baixa é que se descobre quem andou nadando nu’ e ‘Prever a chuva não conta; construir arcas, sim’.
A importância da paciência nos investimentos
Um dos temas mais frequentes nas conversas sobre Buffett é sua notável paciência. Ele era conhecido por acumular grandes quantidades de capital na Berkshire, esperando o momento certo para investir. Para ele, o horizonte de investimento era sempre a longo prazo. Na carta aos acionistas de 1989, ele afirmou: ‘nossa janela de investimento favorita é para sempre’. Anthony Scaramucci, um investidor e ex-diretor de comunicações da Casa Branca, recordou que, ao contar a Buffett sobre a compra de ações da Berkshire para sua filha, o investidor rapidamente o corrigiu, destacando que a visão de investimento deveria ser de 100 anos.
Ética e disciplina no mundo dos negócios
Buffett também é conhecido por sua abordagem ética e disciplinada. Larry Restieri, CEO da Hightower, comentou sobre como aprendeu com Buffett que excelência é uma disciplina. Para Buffett, definir uma direção clara e manter-se fiel aos seus princípios era fundamental. Ele acumulou uma fortuna estimada em cerca de US$ 150 bilhões, mas sempre enfatizou a importância da honestidade e integridade em seus negócios. Em uma ocasião, ele afirmou: ‘Se a empresa perder dinheiro, eu entenderei. Mas se perder reputação, serei implacável’.
O legado de doações e generosidade
Apesar de seu estilo de vida luxuoso, com jatos particulares e Cadillacs, Buffett decidiu destinar uma parte significativa de sua fortuna para a caridade. Em 2010, ele, junto com Bill e Melinda Gates, criou o Giving Pledge, um compromisso firmado por alguns dos mais ricos do mundo de doar a maior parte de sua riqueza para causas filantrópicas. Marcel Arsenault, CEO da Real Capital Solutions, declarou que Buffett o inspirou a olhar além do sucesso financeiro. Buffett já mencionou que ‘uma vasta coleção de bens acaba possuindo seu dono’, enfatizando que a verdadeira riqueza reside nas doações e na ajuda ao próximo.
Por fim, Buffett destacou em uma de suas cartas: ‘A bondade não custa nada, mas também não tem preço’. Esse legado de generosidade e sua abordagem ética permanecerão como um exemplo a ser seguido por empresários em todo o mundo.


