A situação preocupante na Câmara de Sorocaba
A Câmara Municipal de Sorocaba, localizada em São Paulo, tem mantido um contrato de mais de R$ 800 mil para um software de gestão que, curiosamente, não é utilizado por mais de 85% dos vereadores. Apesar da baixa adesão, o serviço, que foi criado para gerenciar o relacionamento com os eleitores, teve sua renovação aprovada para 2025.
Um levantamento realizado pelo g1 revelou que, dentre os gabinetes da Câmara, apenas o do presidente Claudio Sorocaba (PSD) declarou usar a plataforma. O contrato com a empresa Backsite Serviços Online foi estabelecido em 2024, com um valor total de R$ 822 mil, sendo que R$ 460 mil já foram pagos. Mesmo neste cenário de baixa utilização, o acordo foi prorrogado em 2025, com um adicional de R$ 342 mil, que terá validade até novembro de 2026.
Baixa adesão entre os vereadores
Com 25 vereadores em sua composição, a pesquisa realizada pelo g1 mostrou que a grande maioria não faz uso da ferramenta. Em um total de 21 gabinetes, a resposta foi clara: eles não utilizam o sistema. Alguns, como Tatiane Costa (PL), afirmaram desconhecer a plataforma, enquanto outros, como Iara Bernardi (PT), justificaram que a ferramenta “não se encaixa na dinâmica de trabalho” do gabinete.
O g1 abordou todos os gabinetes da Câmara em busca de esclarecimentos. As respostas variaram entre curtas e mais detalhadas. Por exemplo, Roberto Freitas (PL) e Caio Oliveira (Republicanos) confirmaram que não utilizam os produtos ou serviços da Backsite. Fernando Dini (Progressista) também se posicionou da mesma forma, assim como Dylan Dantas (PL), que não utilizou o sistema em 2024 nem em 2025.
João Donizete (União Brasil) opta por outras ferramentas e nunca acessou o sistema, enquanto Tatiana Costa (PL) admite que desconhece a plataforma. Outros vereadores, como Jussara Fernandes (Republicanos) e Henri Arida (MDB), também relataram não utilizar a ferramenta, e Ítalo Moreira (União) se alinha a essa falta de uso.
Motivos para a não utilização da plataforma
A situação se repete em diversos gabinetes. Raul Marcelo (PSOL), por exemplo, declarou que não usa o sistema, enquanto Toninho Corredor (Agir) preferiu um cadastro próprio do gabinete. Iara Bernardi (PT) reforçou que a plataforma não se adequa à dinâmica de trabalho do seu gabinete.
Outras declarações indicam que vereadores como Fábio Simoa (Republicanos) optam por outras soluções que atendem de forma mais eficiente às necessidades do mandato, justificando a falta de utilização do sistema da Backsite. Cristiano Passos (Republicanos) também confirmou que ninguém no seu gabinete utiliza a ferramenta mencionada.
Cícero João (Agir) respondeu de maneira vaga, dizendo usar “o sistema da Câmara”, mas não especificou qual sistema utilizava. O gabinete de Rodolfo Ganem (Podemos) e Fausto Peres (Podemos) também se manifestaram, afirmando que não utilizam os serviços da empresa Backsite.
Resposta da Câmara de Sorocaba
Após a reportagem, a Câmara de Sorocaba iniciou uma série de movimentações internas visando aumentar a adesão ao software entre os vereadores. Informações indicam que reuniões serão realizadas para discutir a melhor utilização da plataforma.
Quando questionada sobre a decisão de renovar o contrato, a Câmara justificou que a escolha sobre a utilização de ferramentas administrativas é uma autonomia de cada vereador. O órgão contestou ainda os dados levantados pela reportagem, afirmando que o percentual de adesão ao sistema é superior ao indicado, entre 40% a 50% dos vereadores.
A Câmara destacou que o software foi introduzido para modernizar a gestão, substituindo um sistema anterior que estava em desuso. Além disso, o contrato foi renovado com uma redução de 25% no custo, e a instituição busca novos sistemas que possam continuar a reduzir despesas, incluindo serviços de monitoramento.


