Carnaval de Pernambuco: Um Encontro de Sabores e Ritmos
A diversidade que caracteriza o Carnaval de Pernambuco tomou conta do Jardim do Cais do Sertão na terça-feira (17), durante a última noite do Palco Pernambuco Meu País. Essa festa vibrante reuniu manifestações da cultura popular e sonoridades contemporâneas, reafirmando a pluralidade que define a paisagem sonora do Estado.
Promovido pelo Governo de Pernambuco, através da Secretaria de Cultura (Secult-PE), da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e da Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur), o evento atraiu milhares de pessoas ao longo do dia, com uma programação que abrangeu o Sertão, a Região Metropolitana e o Agreste.
A abertura, marcada para as 15h30, ficou a cargo do Boi Fantástico, do município de Arcoverde. Fundado em 2004, o grupo animou o público com sua performance interativa, representando a força da cultura popular sertaneja e a tradição do boi.
Tradições que Ecoam: Maracatu e Frevo em Cena
Na sequência, o batuque ancestral do Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu envolveu o público em um clima festivo. Reconhecido como Patrimônio Imaterial de Pernambuco desde 2009, esse maracatu de baque virado, com 201 anos de história, trouxe à cena um toque singular por meio de instrumentos como zabumba, tarol, mineiro e gonguê. Originalmente, os tambores eram feitos com barricas de bacalhau, mas atualmente são talhados no tronco de macaíba. Tocados com uma baqueta e uma vareta chamada “bacalhau”, esses instrumentos conferem uma identidade única ao ritmo do Estrela Brilhante. Em meio a coroas, cores e ancestralidade, o grupo reafirmou a força das tradições afro-brasileiras durante o Carnaval.
No final da tarde, às 17h, o Bloco Carnavalesco Misto Flor da Lira de Olinda tomou conta do palco com seu frevo vibrante. Fundado em 1975, o bloco transformou o ambiente em um verdadeiro baile a céu aberto, iluminado por estandartes dourados e fantasias coloridas, celebrando a energia contagiante do ritmo simbólico da festa.
Ecos de Diversidade: Afoxé e Música Contemporânea
Às 18h, o Afoxé Filhos de Dandalunda trouxe ao público a força da tradição afro-religiosa, com uma apresentação dedicada ao orixá Oxum, associado às águas doces, à fertilidade e ao amor. Com o seu núcleo na Imbiribeira e sob a liderança do sacerdote Pai Moacir de Angola, o grupo é uma extensão do Abassá Omim Asè de Dandalunda, e foi fundado em 2000.
O multiartista Ciel Santos, natural de Bezerros, subiu ao palco às 19h, oferecendo um espetáculo que mescla tradição e inovação. Bailarino, cantor e ator, Ciel revisitou canções do seu álbum “Enraizada” (2019) e clássicos do Carnaval, misturando-os com novas roupagens instrumentais. Com sua voz andrógina e marcante, ele combina referências nordestinas a ritmos latinos, jazz e música erudita, criando uma atmosfera que transita entre o clássico e o moderno. “O palco do Pernambuco Meu País é fundamental para que artistas pernambucanos apresentem sua música autoral. Eu sou do Agreste e estou muito feliz de participar do carnaval daqui”, disse Ciel com entusiasmo antes de sua apresentação.
O Fechamento com Chave de Ouro: Banda Eddie e a Celebração da Cultura
Encerrando a noite, a Banda Eddie fez sua apresentação a partir das 20h30, levando o público ao delírio com sua proposta musical que funde frevo, surf music, reggae, samba e punk rock. Com sucessos dos álbuns “Carnaval no Inferno” e “Original Olinda Style”, além de novas composições, o grupo reafirmou sua relevância na cena musical de Recife ao longo das últimas décadas. O vocalista Fábio Trummer destacou a importância do festival: “O Pernambuco Meu País representa bem toda nossa cultura, seja a mais tradicional ou a urbana, e ainda abrange as novas linguagens como o techno. Ele é um projeto que ocorre o ano todo, levando atrações a diversas cidades que, muitas vezes, não têm a oportunidade de ver tantas manifestações culturais reunidas”.
Mais do que um espaço para shows, o Palco Pernambuco Meu País no Carnaval se consolidou como um verdadeiro território de encontro entre tradições, linguagens e gerações. Ao reunir em um único dia boi, maracatu, frevo, afoxé e experimentações contemporâneas, o evento reafirmou a multiversidade da música pernambucana, garantindo visibilidade a expressões que ajudam a construir, coletivamente, a identidade cultural do Estado.
Ao proporcionar estrutura, público e apoio institucional a esses grupos e artistas, a iniciativa fortaleceu as cadeias criativas, valorizou mestres e mestras da cultura popular e projetou novas vozes, assegurando que a paisagem sonora de Pernambuco permaneça viva e em constante transformação.
Sobre o Festival Pernambuco Meu País
Promovido pelo Governo de Pernambuco, através da Secretaria de Cultura (Secult-PE), da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), o festival se estabelece como uma política pública de valorização cultural e desenvolvimento regional. Com edições no Carnaval, Verão e Inverno, o projeto oferece programação gratuita e de grande porte em diversos municípios, descentralizando ações culturais e ampliando o acesso do público a shows e manifestações artísticas. Presente em cidades do Litoral ao Sertão, o festival fortalece a cadeia produtiva da cultura, movimentando setores como turismo, comércio e serviços, além de reafirmar seu papel como motor de geração de renda, emprego e transformação social em Pernambuco.


