Chuvas em Excesso afetam Recolhimento de Látex
A produção de látex no Oeste Paulista enfrenta desafios significativos devido ao aumento no volume de chuvas. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a região de Presidente Prudente registrou um índice de precipitação 40% acima do esperado. Essa situação tem gerado preocupações entre os produtores, que têm que lidar com a instabilidade climática, especialmente quando as chuvas ocorrem logo após a sangria.
Durante esse processo, as canecas destinadas ao armazenamento do látex podem acumular água, comprometendo a qualidade do produto. Além disso, a própria sangria se torna arriscada, uma vez que o corte não é recomendado se a árvore estiver molhada. Assim, o excesso de chuvas não apenas causa perdas no látex já coletado, mas também pode prejudicar a coleta futura.
Neste cenário desafiador, os seringueiros têm buscado otimizar seu trabalho aproveitando as horas mais amenas do dia para realizar a sangria. Em plena safra, muitos esperam um aumento na produção em relação ao ano anterior. Por exemplo, Paulo Renato Cardoso, um produtor de Indiana (SP), prevê colher cerca de 30 mil quilos de látex em quase 10 hectares. Segundo ele, esse crescimento é atribuído ao aumento no número de árvores em produção e à própria evolução da cultura, que normalmente apresenta melhores resultados a partir da quarta safra.
No entanto, mesmo com um cenário promissor, a instabilidade das chuvas continua a afetar a coleta do látex, especialmente quando ocorrem chuvas logo após a sangria. Isso prejudica a coagulação do produto, levando a perdas significativas em algumas situações. O impacto do excesso de chuvas também foi observado em Rancharia (SP), onde o produtor Paulo Mellotti, que possui 36 hectares de seringueiras, relata desafios semelhantes.
Nos primeiros 45 dias do ano, o volume de chuvas na região de Presidente Prudente ficou 40% acima do que era esperado, segundo dados do Inmet. Para a pesquisadora Elaine Tucci Gonçalves, essa situação é preocupante, pois, além das perdas já ocorridas, a própria sangria pode ser afetada. Ela sugere que mudanças no manejo, como o uso de protetores nas árvores e ajustes no cronograma de extração, podem ajudar a minimizar os prejuízos causados pelo excesso de água.
Apesar dessas dificuldades, o cultivo da borracha natural avançou quase 9% em todo o estado no ano passado. O Instituto de Economia Agrícola (IEA) aponta que o valor da produção agropecuária de borracha ultrapassou R$ 1,5 bilhão. No entanto, os produtores ainda enfrentam oscilações nos preços do látex e um aumento nos custos de insumos, incluindo fertilizantes, defensivos e diesel. Esse cenário demanda atenção e estratégias eficazes para garantir a viabilidade da produção de látex no Oeste Paulista.


