Uma Celebração Cultural
De 13 a 15 de março, a Sala Multiuso do Espaço Cultural Renato Russo se transforma em um verdadeiro território de partilha artística. A I Mostra do Coletivo Educação pela Arte traz uma programação rica, que inclui música, circo, dança e teatro de mamulengo, voltada tanto para estudantes da rede pública quanto para o público em geral. Esta iniciativa comemora uma década de atuação do coletivo brasiliense, que ao longo dos anos tem se dedicado a conectar diferentes linguagens artísticas com escolas, famílias e comunidades do Distrito Federal.
A mostra representa a síntese de um trabalho colaborativo, onde artistas se unem para proporcionar experiências enriquecedoras. A programação inclui concertos, espetáculos infantis e oficinas, refletindo a essência do coletivo: a arte como uma experiência compartilhada e uma poderosa ferramenta de transformação social.
Premiação e Reconhecimento
A iniciativa ganhou vida após o Coletivo Educação pela Arte receber o prêmio Cultura Viva, dentro da Lei Paulo Gustavo, que o certifica como Ponto de Cultura. Segundo Nelson Latif, um dos músicos do coletivo, a decisão foi clara: transformar essa conquista em um momento de interação com o público. “O objetivo era que o prêmio se convertesse em uma experiência real. A Mostra surge como uma forma de partilha, reunindo todos os artistas e suas obras originais”, comenta.
Ele ainda ressalta que este evento marca o início de um novo ciclo para o coletivo. “Estamos não apenas celebrando dez anos de atividades, mas também reafirmando nosso compromisso com a arte-educação”, acrescenta Latif.
Espaço Cultural com Significado
A escolha do Espaço Cultural Renato Russo para sediar o evento carrega um simbolismo especial. “Brasília é nossa casa. Muitos de nós nasceram aqui, e o Renato Russo é um espaço que representa todos nós. A escolha foi natural”, explica Latif.
No primeiro dia da mostra, a programação inicia às 14h com oficinas de dança, percussão e circo. Em seguida, os estudantes da rede pública terão a oportunidade de assistir ao espetáculo multiartístico Caravana da Criança, que combina música, contação de histórias e linguagem circense. À noite, a Camerata Caipira apresenta um concerto com repertório de cultura popular, aberto ao público em geral.
Espetáculos e Atividades para Todos
No sábado, dia 14, às 17h, o público poderá conferir “É o Bicho!”, uma montagem cênico-musical da Camerata Caipira com direção de Andrea Jabor. O espetáculo oferece uma experiência sonora, visual e poética sobre a fauna do Cerrado, envolvendo crianças e famílias em uma interação com músicas autorais que dialogam com a cultura brasileira.
Às 20h, o Trio Baru, que comemora 25 anos de carreira, se apresenta, trazendo um show especial que contará com a participação do percussionista Ismael Rattis. No domingo, a Caravana da Criança retorna, encerrando a programação com um espetáculo aberto ao público, que integra música, dança, contação de histórias e circo.
Integração entre Educação e Arte
Ismael Rattis, músico e integrante do coletivo, destaca que o amadurecimento do grupo se reflete tanto nas práticas artísticas quanto nas metodologias pedagógicas. “Com o passar do tempo, aprendemos a integrar nosso trabalho ao cotidiano escolar, criando conteúdos que possam ser explorados em sala de aula”, explica. Para ele, a proposta é estreitar a relação entre aprendizado e experiências sensíveis.
Rattis ainda enfatiza a importância da atividade artística em grupo. “Tocar em conjunto exige escuta e respeito. A música, por exemplo, é um exercício de convivência que ajuda a desenvolver uma visão mais colaborativa do mundo”, complementa.
A Importância das Políticas Culturais
A diversidade de trajetórias e experiências dentro do coletivo é uma das suas características mais marcantes. Artistas de diferentes áreas, como cultura popular, música instrumental, circo e literatura, formam uma linguagem híbrida que busca dialogar com públicos variados. Isabella Rovo, integrante do grupo, ressalta a importância das políticas públicas culturais: “Esses projetos só são possíveis graças às leis de incentivo, que garantem o acesso à cultura por meio dos impostos pagos pela população”, afirma.
Ela destaca ainda o impacto positivo em comunidades periféricas. “Muitas crianças não têm a oportunidade de ir ao teatro com suas famílias. Ao levar a arte para as escolas, conseguimos ampliar horizontes e contribuir para a formação de um novo público, respeitando as manifestações artísticas locais”, conclui.
Reflexões sobre a Longevidade do Coletivo
Ao trazer para um mesmo palco as diversas linguagens que compõem o repertório do grupo, a Mostra se revela como uma verdadeira celebração da arte. Nelson Latif observa que essa celebração é um reflexo do trabalho colaborativo entre os artistas. “Não somos um grupo perfeito, mas aprendemos juntos. Às vezes, algo não sai como planejado, mas sempre encontramos uma forma de nos reorganizar e seguir em frente. O respeito pelas trajetórias individuais é o que mantém nosso trabalho vivo”, conclui.
Ao completar dez anos de atuação, o Coletivo Educação pela Arte reafirma seu compromisso de fazer da arte um espaço de encontro, aprendizado e transformação, unindo palco, escola e território em uma experiência única.
Serviço
Evento: I Mostra Coletivo Educação pela Arte
Data: de 13 a 15 de março
Local: Espaço Cultural Renato Russo – Brasília/DF


