Gestos Simples Que Fazem a Diferença na Economia Hídrica em São Paulo
Com o aumento significativo no consumo de água na Grande São Paulo, impulsionado pela intensa onda de calor que afeta o estado, o Governo de São Paulo intensificou as campanhas de conscientização sobre o uso responsável desse recurso precioso. O incentivo à adoção de práticas simples em atividades cotidianas, como tomar banho, escovar os dentes e lavar a louça, pode resultar em economias de centenas de litros de água, contribuindo para aliviar a pressão sobre o sistema de abastecimento da região.
Desde agosto, por determinação da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), a Região Metropolitana de São Paulo implementou um regime de gestão da demanda hídrica com restrições noturnas que duram 10 horas, das 19h às 5h. Essa medida visa preservar os mananciais que abastecem a área. Desde a implementação dessa estratégia, a economia acumulada ultrapassa os 70 bilhões de litros de água, o que equivale ao consumo mensal de aproximadamente 12,33 milhões de pessoas.
No entanto, o cenário ainda é preocupante. O aumento do consumo, aliado à estiagem prolongada, continua a impactar os níveis das represas que compõem o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que atualmente opera com apenas 27,4% de sua capacidade total. As previsões meteorológicas indicam chuvas abaixo da média para este mês, prolongando a recuperação dos mananciais que suportam a Grande São Paulo. Portanto, a conscientização sobre o uso da água se torna ainda mais crucial.
Como Contribuir Para a Economia de Água
Práticas simples podem resultar em grandes economias. Veja algumas sugestões:
- Escovar os dentes com a torneira fechada: Essa atitude pode economizar até 12 litros de água por escovação, equivalente a 24 garrafinhas de 500 ml ou seis panelas de arroz cheias.
- Reduzir o tempo de banho: Ao diminuir o tempo no chuveiro em apenas 5 minutos, é possível economizar até 80 litros, o que corresponde a 160 garrafinhas de 500 ml. Essa quantidade poderia hidratar uma pessoa por 40 dias.
- Ensaboar a louça com a torneira fechada: Essa prática pode gerar uma economia de até 80 litros, equivalente a dez banhos rápidos.
- Lavar o carro com balde: Utilizar um balde ao invés de mangueira pode economizar até 300 litros, o que representa uma caixa de água pequena.
Estratégias Modernas de Gestão Hídrica
Em 2025, a Grande São Paulo implementou um modelo inovador de gestão integrada dos recursos hídricos. Essa abordagem visa proteger os reservatórios e mananciais do Sistema Integrado Metropolitano (SIM), garantindo o abastecimento da população. O governo estabeleceu sete faixas de atuação que variam conforme os níveis de reservação durante períodos de seca e chuvas. Essa metodologia é baseada em projeções que analisam a segurança da reservação, afluências, consumo e volume de chuvas, monitoradas constantemente pela SP Águas.
As ações são planejadas com base em doze meses de projeções, e as medidas são aplicadas conforme as necessidades, assegurando a segurança dos reservatórios. As sete faixas de atuação indicam diferentes níveis de criticidade e orientam quais medidas de contingência devem ser adotadas, com restrições que só são aplicadas após uma semana de índices elevados, podendo ser relaxadas após 14 dias de retorno a patamares mais adequados.
Investimentos para Melhorar a Infraestrutura Hídrica
A desestatização da Sabesp em 2024 possibilitou um impulso significativo nos investimentos em sistemas de água e esgoto no estado. A empresa se comprometeu a antecipar a universalização do saneamento básico, prevendo investimentos totais de R$ 70 bilhões até 2029. Desde julho de 2024, a Sabesp já arrecadou cerca de R$ 15 bilhões para ampliar e melhorar a infraestrutura de saneamento, superando as metas de expansão do serviço, beneficiando milhões de pessoas.
A Baixada Santista também receberá R$ 7,5 bilhões em investimentos nos próximos três anos, visando solucionar desafios estruturais no abastecimento de água. Essa quantia representa quase três vezes o que foi investido na região de 2017 a 2024, destacando a relevância das ações para garantir a segurança hídrica e ampliar a oferta de água na região.


