Entendendo a Chikungunya
A chikungunya é uma doença viral que tem ganhado destaque entre as autoridades de saúde do Brasil e do mundo. Transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, a doença é endêmica em várias regiões do Brasil, especialmente em períodos chuvosos e em climas quentes. O gestor médico do Butantan, Eolo Morandi, ressalta: “Precisamos manter uma vigilância constante, pois o risco de surtos permanece, mesmo fora de grandes epidemias.”
A crescente preocupação com as mudanças climáticas e sua relação com a disseminação do vírus enfatiza a urgência de uma vacina. Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma vacina contra a chikungunya, fruto da parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica franco-austríaca Valneva.
“A vacinação é crucial para conter surtos e minimizar o impacto da doença em um país endêmico como o nosso,” destaca Morandi. Em fevereiro de 2025, o Governo de São Paulo iniciou uma estratégia nacional de vacinação em Mirassol, marcando o início de um projeto-piloto que se expandirá para 10 municípios em quatro estados, escolhidos com base em critérios epidemiológicos e viabilidade operacional.
Medidas de Prevenção
Enquanto a vacina não está amplamente disponível, o controle do mosquito transmissores se torna vital. Morandi enfatiza que “a vacinação é uma ferramenta eficaz, mas não substitui a responsabilidade de todos no combate ao vetor”. Para evitar a proliferação do Aedes, é importante eliminar locais de água parada, utilizar repelentes e usar roupas apropriadas que cubram braços e pernas. Além disso, manter casas e quintais limpos e colaborar com as ações de fiscalização é essencial.
Populações em Risco
A chikungunya pode causar complicações sérias, especialmente em grupos vulneráveis, como recém-nascidos e idosos. Os recém-nascidos têm um sistema imunológico em desenvolvimento e, os idosos, geralmente, apresentam uma resposta imune mais fraca. Curiosamente, mulheres representam cerca de 60% dos casos no Brasil e têm uma maior propensão a desenvolver dores articulares severas, possivelmente por fatores hormonais e imunológicos, embora mais pesquisas sejam necessárias para confirmar essas associações.
Segundo Morandi, “a maior busca por atendimento médico entre mulheres pode explicar o número elevado de casos diagnosticados nesse grupo”.
Diagnóstico e Evolução da Doença
O diagnóstico da chikungunya pode ser realizado tanto por avaliação clínica quanto por testes laboratoriais. Nos primeiros dias da infecção, é possível utilizar o exame de sangue PCR para detectar o vírus. Após uma semana, a confirmação pode ser feita pela presença de anticorpos. “É importante ressaltar a preocupação com a cronificação das dores articulares, que pode afetar a qualidade de vida dos pacientes por longos períodos”, adverte Morandi.
Indivíduos com comorbidades, como diabetes e hipertensão, têm maior risco de desenvolver dores crônicas após infecção. “Essa condição pode persistir por até 36 meses, limitando significativamente as atividades diárias dos afetados”, explica o especialista.
Cenário da Chikungunya no Brasil e no Mundo
Até agosto de 2025, foram registrados aproximadamente 317 mil casos e 135 mortes relacionadas à chikungunya em 16 países das Américas, África, Ásia e Europa, conforme o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). No Brasil, o número de casos chegou a mais de 125 mil, com 121 óbitos, tornando o país o líder em incidência na região. Os estados mais afetados incluem Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para os riscos de uma epidemia global de chikungunya, associada a fatores como mudanças climáticas e aumento da urbanização. “A chikungunya ainda não é amplamente reconhecida, mas já foi relatada em 119 países, afetando 5,6 bilhões de pessoas”, comentou Diana Rojas Alvarez, líder da equipe de arbovírus da OMS.
Diferenciando Chikungunya e Dengue
Apesar de apresentarem sintomas semelhantes, a chikungunya e a dengue possuem diferenças importantes. Ambas são transmitidas pelo Aedes aegypti e podem causar febre e dor de cabeça. No entanto, a chikungunya é caracterizada por dores articulares intensas e prolongadas, que podem incapacitar os pacientes por semanas ou meses, enquanto a dengue tende a causar quadros mais graves, mas de duração menor. O termo chikungunya, que significa “aquilo que se curva” na língua Kimakonde, refere-se à postura contorcida dos infectados pela dor nas articulações.
“As dores podem se tornar crônicas em pessoas com condições de saúde pré-existentes, prejudicando gravemente sua qualidade de vida”, conclui Morandi.


