Medidas para a Recuperação da Estatal
Os Correios estão enfrentando uma grave crise e, apesar das iniciativas anunciadas, especialistas avaliam que as ações são insuficientes para sanar os problemas da empresa. O plano de recuperação da estatal inclui o fechamento de mil agências e a demissão de 15 mil colaboradores. Em uma coletiva de imprensa realizada ontem, o presidente da empresa, Rondon, destacou a importância desse plano, mas reconheceu que o montante de R$ 12 bilhões obtido não é suficiente.
Ele mencionou que, até 2027, a estatal precisará de um total de R$ 20 bilhões para alcançar a sustentabilidade financeira. O valor disponível atualmente, segundo Rondon, atende apenas parcialmente às necessidades da empresa, e ainda são necessários outros R$ 8 bilhões, cujas negociações com instituições financeiras ainda não começaram.
Impacto das Medidas e Prognóstico Financeiro
O programa de reestruturação visa reduzir custos e otimizar operações. Entre as ações previstas, está um corte de R$ 2,1 bilhões em despesas com pessoal. As demissões previstas representam 18% da folha de pagamento total da empresa, que atualmente enfrenta uma perda significativa, estimada em mais de R$ 4 bilhões anualmente devido à universalização dos serviços.
Embora o plano seja uma tentativa de estabilizar a companhia, os resultados financeiros ainda são preocupantes. Sem a implementação das medidas, os Correios devem registrar um prejuízo de R$ 9 bilhões em 2025, e a expectativa é que os números se agravem ainda mais em 2026, com uma leve piora projetada por Rondon.
Crédito e Liquidez
A estatal firmou um empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio de cinco bancos, com R$ 10 bilhões a serem liberados ainda este ano e os R$ 2 bilhões restantes em 2026. Esse recurso é essencial para a recuperação da liquidez da empresa, permitindo o pagamento de salários, dívidas e precatórios em atraso. Rondon acredita que essas medidas são fundamentais para que os Correios possam voltar a honrar seus compromissos financeiros.
Objetivos Futuros e Busca por Parcerias
Além da recuperação imediata, os Correios buscam aumentar sua receita, fixando a meta de alcançar R$ 21 bilhões até 2027. Em comparação, a receita projetada para 2024 é de R$ 18,9 bilhões, ligeiramente inferior ao que foi arrecadado nos anos anteriores. Uma das estratégias para aumentar o faturamento inclui a busca por parcerias com o setor privado e a diversificação de serviços oferecidos.
Rondon ressaltou que a adaptação a novas dinâmicas de mercado é crucial e que muitas empresas ao redor do mundo já conseguiram se reestruturar rapidamente. Enquanto isso, os Correios precisam se reinventar para não ficar para trás.
Investimentos e Modernização
Prevê-se que entre 2027 e 2030, a empresa receba investimentos de R$ 4,4 bilhões, oriundos de um empréstimo do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, que terá como finalidade a automação de centros de tratamento e a modernização da infraestrutura tecnológica, além de renovar e descarbonizar a frota de veículos.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, elogiou as ações implementadas até agora, considerando-as “muito bem-sucedidas”. Ele salientou a necessidade de monitoramento contínuo do processo de reestruturação para garantir que a empresa retome sua sustentabilidade econômica.
A primeira fase da reestruturação, que envolveu operações de curto prazo, já foi concluída, resultando em uma economia significativa nos custos financeiros da estatal.
Perspectivas e Acompanhamento
O Tesouro Nacional está atento ao progresso dos Correios, e Ceron enfatizou que eventuais aportes não configuram dependência, mas sim uma medida de suporte necessário durante o processo de reestruturação. Com isso, a análise contínua do desempenho da empresa será essencial para que os Correios consigam voltar a operar com segurança e rentabilidade no futuro.


