Encerramento sem Oitiva dos Denunciados
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Câmara de Sorocaba foi encerrada sem que nenhum dos denunciados tivesse sido ouvido. Embora algumas oitivas tenham ocorrido, todas foram realizadas a portas fechadas, sem a presença da imprensa e sem transmissão pela TV Câmara. Além disso, os trabalhos da comissão não se aprofundaram em ouvir instituições diretamente envolvidas nas denúncias de corrupção, como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Éden e a Unidade Pré-Hospitalar (UPH) da Zona Norte.
Apesar da ausência de depoimentos e da falta de análises mais detalhadas, o relatório final será enviado ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). O documento gerou insatisfação entre os membros da oposição, que criticaram o encerramento da CPI, aprovado por 14 votos a 4, com cinco vereadores ausentes.
O ex-secretário de Saúde de Sorocaba, Vinicius Rodrigues, que foi citado nas investigações e denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), chegou a se oferecer para depor nas redes sociais, mas a CPI nunca o convocou. Ele levantou questões sobre o possível interesse político em mantê-lo fora dos depoimentos, evidenciando a falta de transparência do processo. A seguir, confira a lista completa de votos da CPI.
A CPI e as Pressões Populares
A CPI foi criada em novembro de 2025, impulsionada por uma forte pressão popular em decorrência de uma investigação da Polícia Federal sobre um alegado esquema de corrupção na Prefeitura de Sorocaba. Esta investigação resultou no afastamento do então prefeito Rodrigo Manga, do partido Republicanos. A comissão foi dominada, em sua maioria, por vereadores que apoiam a administração de Manga.
No dia 10, durante uma transmissão da TV Câmara, um áudio vazado revelou uma conversa onde o presidente da CPI, vereador Cláudio Sorocaba (PSD), demonstrou desdém por outros parlamentares. No diálogo com o presidente da Câmara, Luis Santos, Sorocaba, que sempre defendeu o prefeito afastado, afirmou ter se sentido traído por colegas e expressou seu desprezo pela oposição, dizendo: “Quero que a oposição se foda. Sou o presidente da comissão.”
Manobras Políticas e Consequências
A abertura da CPI da Saúde só se concretizou após diversas manobras políticas por parte dos parlamentares da base de apoio a Rodrigo Manga, um padrão que já havia se repetido em sua primeira gestão. Em novembro, apenas alguns dias após o pedido de investigação, com o voto de mais dois vereadores, a base do prefeito, até então contrária à CPI, mudou de posição. Assim, 24 dos 25 vereadores assinaram o pedido, levando a base a assumir o controle dos trabalhos, ocupando cargos essenciais como a presidência e a relatoria.
Durante o primeiro mandato de Rodrigo Manga, outras situações semelhantes ocorreram, adotando estratégias políticas para evitar investigações. Um dos casos estava relacionado a verbas da educação, onde a oposição tentou protocolar um pedido de CPI, mas a base do prefeito se antecipou e registrou o pedido, assumindo a investigação antes que a oposição pudesse agir.
Como ocorreu nesta CPI, os parlamentares encerraram os trabalhos e transferiram a responsabilidade das apurações a órgãos, como o Ministério Público, sem a conclusão das investigações necessárias.
Novos Cargos na Câmara e Implicações Financeiras
Em meio às polêmicas, a Câmara de Sorocaba aprovou uma proposta que cria 25 novos cargos de assessor. A votação resultou em 20 votos a favor e cinco contra, aumentando o número total de assessores de 100 para 125. Cada vereador poderá contar com um quinto assessor, com salários que podem chegar a R$ 12 mil.
De acordo com estimativas, com o valor destinado a esses novos cargos, seria possível construir duas novas unidades de saúde ou adquirir até 34 UTIs móveis. Este cenário levanta questões sobre as prioridades financeiras da Câmara, especialmente em um contexto de alegações de corrupção e a necessidade urgente de melhorias no setor de saúde da cidade.


