Crescimento Sustentado na Indústria
A produção industrial no Brasil cresceu 0,9% de janeiro para fevereiro de 2024, marcando o segundo mês consecutivo de expansão. Com isso, o setor acumula um aumento de 3% no ano. Se comparado a fevereiro de 2020, antes da pandemia, a produção se encontra 3,2% acima, mas ainda está 14,1% abaixo do pico histórico de maio de 2011.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Mensal (PIM). O gerente da pesquisa, André Macedo, destacou que a indústria está recuperando as perdas observadas nos últimos meses de 2023, apresentando um perfil de crescimento disseminado.
“Enquanto janeiro foi marcado pela recuperação da produção após um dezembro repleto de férias coletivas e algumas paralisações técnicas, fevereiro se destaca por um avanço consistente na produção. Esse crescimento pode ser atribuído em parte à recomposição de estoques em diversos setores industriais”, avaliou Macedo.
Setores em Alta e Baixa
Conforme o IBGE, o aumento na produção industrial foi verificado nas quatro principais categorias econômicas e em 16 dos 25 ramos analisados. Entre os setores que mais contribuíram para esse crescimento, os veículos automotores, reboques e carrocerias se destacaram com um expressivo aumento de 6,6%. Além disso, o segmento de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis apresentou um crescimento de 2,5%.
André Macedo enfatizou que nos segmentos de automóveis e autopeças, assim como nos derivados do petróleo e álcool etílico, as pressões positivas para o crescimento foram notórias. “A atividade de veículos automotores, reboques e carrocerias acumula uma expansão de 14,1% nos dois primeiros meses de 2024, recuperando-se de uma queda de 9,5% registrada nos dois últimos meses de 2023”, informou o IBGE.
Além disso, a produção de coque e produtos derivados do petróleo e biocombustíveis cresceu pelo terceiro mês consecutivo, com um ganho de 9,9% no mesmo período.
Desafios em Outros Setores
No entanto, nem todos os segmentos mostraram desempenho positivo. A produção de farmoquímicos e farmacêuticos apresentou um recuo significativo de 5,5%, acentuando a queda de 1,4% verificada em janeiro. Macedo apontou que a indústria farmacêutica, que costuma ter resultados voláteis, enfrenta seu segundo mês consecutivo de retração. Isso se deve, em grande parte, a uma alta base de comparação, já que o setor havia acumulado um aumento de 19% nos últimos dois meses de 2023.
Outros setores com desempenho negativo incluíram os produtos químicos, com uma queda de 1,3%, e a metalurgia, que apresentou um recuo de 1,7%.
A recuperação setorial, embora promissora, ainda enfrenta desafios em várias frentes. A capacidade de adaptação e inovação das indústrias será crucial para sustentar este crescimento e enfrentar as flutuações do mercado nos próximos meses.


