Análise do Crescimento no Mercado Pet
O mercado de pets no Brasil está em franca expansão. Entre 2023 e 2025, houve um aumento impressionante de 22% na criação de pequenos negócios voltados para atender os tutores de animais, segundo um levantamento do Sebrae, que utilizou dados da Receita Federal. Ao todo, foram mais de 41,6 mil novos empreendimentos abertos nesse segmento, sendo 12,7 mil em 2023, 13,3 mil em 2024 e 15,5 mil em 2025. Desses novos estabelecimentos, aproximadamente 91% são microempreendedores individuais (MEI).
Um dos fatores que explica esse crescimento é a elevação contínua de 2,5% no número de proprietários de gatos, que já cuidam de cerca de 30 milhões de felinos no Brasil. Os gatos se consolidaram como o segmento pet que mais cresce no país, desafiando o tradicional domínio dos cães.
Movimentação do Mercado Pet Brasileiro
De acordo com a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), o mercado pet no Brasil movimenta cerca de R$ 77 bilhões. Esse valor tem se fortalecido especialmente nas categorias premium e especializadas. O número de gatos no Brasil já representa 19% da população pet nacional, refletindo um crescimento que supera o de cães nos últimos anos. Vale lembrar que o dia 17 de fevereiro é celebrado como o Dia Internacional do Gato, uma data que ganha cada vez mais relevância no calendário de ações de marketing do setor.
Esse cenário abre portas para micro e pequenas empresas especializadas em produtos premium, serviços voltados para o bem-estar animal e soluções inovadoras para o público “gateiro”. Para o Sebrae, o que se observa é uma valorização crescente dos pequenos empreendedores, que se tornam protagonistas nesse mercado.
“O pequeno pet shop de bairro não é coadjuvante; ele é protagonista, pois consegue conquistar mercado e criar novas oportunidades”, afirmou Décio Lima, presidente do Sebrae.
Diferenciais Competitivos no Setor
Desde 2015, o Sebrae se posiciona como um parceiro estratégico do setor pet, com foco especial em gatos. “Estamos presentes em todo o país, oferecendo suporte em gestão eficiente, padronização de processos, desenvolvimento de capital humano e estímulo a novas oportunidades”, enfatiza Lima. Entre as iniciativas estão trilhas de capacitação em finanças, controle de estoque e marketing digital, além de orientações para negócios que atendem especificamente o perfil dos tutores de gatos.
Os tutores de felinos demonstram hábitos de consumo distintos, buscando ambientes calmos e atendimento especializado, além de um mix de produtos que priorizem o bem-estar de seus pets. A chamada “ascensão felina” também está relacionada à verticalização das cidades e às mudanças nos hábitos de vida das famílias brasileiras. Estudos realizados em parceria com instituições como o Instituto Pet Brasil (IPB) e a Abinpet apontam um crescimento contínuo em categorias como alimentação funcional, saúde preventiva e produtos premium.
Empreendedorismo no Setor Pet
Em Brasília, a empresária Mariana Eduarda Brod, proprietária do Betina Cat Café, observa de perto essa transição. O empreendimento, que se tornou uma referência na capital, adota um modelo totalmente voltado para o público amante de gatos, promovendo experiências imersivas e campanhas de adoção. “O mercado cresce a cada ano. As pessoas estão adotando mais gatos, e o preconceito de que eles não são companheiros está ficando para trás”, explica.
Para Brod, o foco exclusivo em felinos se tornou um diferencial competitivo. “Os gateiros se sentem representados. Aqui, criamos um espaço pensado apenas para quem ama gatos, o que gera identidade e fidelização”, enfatiza.
Além do conceito inovador, o negócio integra práticas sustentáveis, como o uso de granulado sanitário biodegradável e redução do uso de plástico, além de apoiar projetos de reciclagem e castração de animais de rua. “A causa animal, a sustentabilidade e o empreendedorismo caminham juntos”, acrescenta.
Especialização como Estratégia de Crescimento
Em São Paulo, Décimo Baccarini Neto, fundador da Raça & Ração, identifica no mercado felino uma das maiores oportunidades atuais. Ele, que está há 21 anos no setor, afirma que os tutores de gatos estão mais informados e dispostos a investir em qualidade. “A especialização se tornou uma estratégia de crescimento essencial”, ressalta.
A empresa investe em orientação técnica e curadoria de produtos que valorizam o bem-estar animal, além de práticas sustentáveis, como o uso de energia solar e reciclagem de embalagens. Para Neto, a profissionalização da gestão e o suporte institucional são cruciais para transformar a paixão por animais em um negócio sustentável e preparado para crescer. “No atendimento ao público felino, esse cuidado é ainda mais valorizado. A sustentabilidade não é apenas um discurso, é um diferencial competitivo”, conclui.


