Desafios Financeiros e a Busca por Recuperação
Em apenas quatro anos, a trajetória da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) passou de um desempenho considerável, onde foi considerado um ‘ano histórico’, para uma situação alarmante ao final de 2025. Sob a liderança de Benjamin Steinbruch, a empresa viu sua saúde financeira ser comprometida, resultando em dívidas alarmantes e uma necessidade urgente de reestruturação.
A CSN encerrou 2025 em uma posição vulnerável, pressionada por credores e pela avaliação negativa das agências de classificação de risco. Em novembro do ano anterior, a S&P Global rebaixou a nota da companhia, seguida por Fitch e Moody’s, levando os investidores a questionarem a capacidade de recuperação da siderúrgica.
O crescimento da alavancagem financeira da empresa desde o início de 2024 sinalizava que os resultados do ano seguinte poderiam permanecer negativos, com um prejuízo de R$ 1,5 bilhão, semelhante ao de 2024. A situação se agravou com um fluxo de caixa livre negativo e uma dívida líquida que alcançou R$ 41,2 bilhões, levando a um aumento significativo na alavancagem para 3,47 vezes, que ultrapassa o limite considerado saudável de 3 vezes no mercado financeiro.
Em uma teleconferência destinada a analistas e investidores, Steinbruch tentou tranquilizar os participantes, alegando que o aumento da alavancagem era pontual e decorrente dos serviços da dívida e de investimentos. Ele expressou otimismo quanto à recuperação dos resultados em 2026 e sobre as ações que a empresa estava tomando.
Com a situação financeira crítica se intensificando, um plano para reduzir a dívida foi elaborado em resposta ao fechamento das contas do terceiro trimestre. A meta era vender ativos e participações, totalizando entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, uma estratégia que se mostrou necessária para controlar o endividamento que se aproximava de R$ 40 bilhões.
Movimentos Estratégicos para Fortalecer a Liquidez
A CSN, que se destaca como uma das pioneiras na fabricação de aços planos no Brasil, se viu forçada a realizar operações de venda de ativos para estabilizar seu quadro financeiro. No início de 2025, a empresa vendeu 11% de sua participação na CSN Mineração para a trading japonesa Itochu, recebendo R$ 4,4 bilhões, recursos que ajudaram a reforçar o caixa. No final do ano, a CSN alienou 13% de sua participação na MRS, concessionária ferroviária, para a mineradora, gerando mais R$ 3,35 bilhões para a controladora.
O plano de redução da dívida foi elaborado para ser executado até o quarto trimestre de 2026, focando especialmente na venda do controle da cimenteira e uma participação de até 30% em holdings de infraestrutura. O objetivo era alcançar um perfil financeiro mais saudável, afastando a companhia do cenário de endividamento excessivo.
Além das vendas, a CSN também não se esqueceu de suas aquisições. No ano anterior, adquiriu a Elizabeth Cimentos, expandindo sua participação no setor de cimentos brasileiro, alcançando 21% do mercado. Entretanto, tentativas de aquisição de outras empresas mostraram-se arriscadas, com investidores expressando alívio pela desistência de negócios que poderiam agravar ainda mais a situação financeira da empresa.
Impacto da Alta da Juros e Importações no Desempenho
Analistas apontam que a CSN enfrentou um cenário desafiador, exacerbado pela alta da taxa Selic, que passou de 2% em 2021 para 15% atualmente. Este aumento impactou o custo do endividamento, com a empresa gastando cerca de R$ 7 bilhões em juros no último ano, consumindo uma parte significativa do seu caixa. O ambiente econômico desfavorável, aliado ao aumento das importações de aço, especialmente da China, também comprometeu as vendas de produtos de alta qualidade da siderúrgica.
Com a preocupação de que a situação financeira da CSN pudesse piorar, analistas se mostraram alarmados com o cenário atual, especialmente após a queda das ações da companhia que despencaram mais de 14% após a divulgação dos resultados ruins. Para investidores, a alavancagem contínua da CSN é um sinal vermelho, limitando a capacidade de estabilidade da companhia em um contexto de taxas de juros elevadas.
Steinbruch finalizou ressaltando que medidas do governo, incluindo ações antidumping e aumento de alíquotas de importação, poderiam ajudar a restaurar o equilíbrio no mercado brasileiro, aliviando a pressão sobre a CSN, que, segundo ele, é a empresa mais afetada atualmente. A trajetória seguinte da siderúrgica dependerá da habilidade em navegar por esses desafios e implementar seu plano de recuperação com eficácia.


