Kiki Ball Encruzilhadas do Tempo: Uma Experiência Transformadora
No próximo sábado, dia 28, às 16h, o Cine Teatro Ouro Verde será palco de um evento marcante: a “Kiki Ball Encruzilhadas do Tempo”. Essa iniciativa integra a programação do 3º Festival das Diversidades e é organizada pelo Coletivo Ballroom Londrina, em parceria com o programa de extensão da UEL (Universidade Estadual de Londrina), a Práxis Itinerante e a produtora cultural Kapanga Criativa. Neste evento, a cultura ballroom, um movimento político e artístico, se apresenta pela primeira vez no Ouro Verde, um espaço histórico da cidade.
A cultura ballroom tem suas raízes na década de 1970, nos Estados Unidos, sendo um espaço de resistência e expressão para pessoas LGBTQIA+, negras e latinas. Assim como um grito de resistência contra o racismo e a LGBTQIfobia, o movimento é estruturado através de “houses” (casas), que funcionam como famílias escolhidas, e promove “balls” — bailes onde ocorrem competições de dança, performance e moda.
A Performatividade e o Diálogo com o Tempo
Naan Curotto Alves, artista e integrante do Coletivo Ballroom Londrina, destaca a importância do diálogo com as “encruzilhadas do tempo”. Segundo ele, essa abordagem busca permitir uma nova compreensão do tempo, que não precisa ser linear, mas espiral. Curotto faz referência à obra “Performances do tempo espiralar, poéticas do corpo-tela” da dramaturga Leda Maria Martins, ressaltando que a ballroom ocorre nesse espaço de diálogo e reflexão.
As cores escolhidas para a ball, verde, marrom e branco, são inspiradas no orixá do tempo, Iroko, e também são as cores do Teatro Ouro Verde, simbolizando a conexão entre a cultura e o espaço. Tiago Daniel, ator e diretor-geral do 3º Festival das Diversidades, enfatiza a importância de reconhecer as trajetórias que permitiram a criação de um espaço onde os corpos marginalizados possam celebrar sua existência.
O Coletivo Ballroom e Suas Conquistas
Fundado em 2022, o Coletivo Ballroom Londrina já passou por diversos espaços culturais da cidade, como a Usina Cultural e o Canto do Marl, cada um contribuindo para o reconhecimento e valorização da cena. Para Naan, o caminho até o Ouro Verde foi fundamental, pois cada local teve um papel importante na construção desse espaço de celebração.
Tiago ressalta que um dos objetivos do Festival das Diversidades é ocupar diferentes locais com culturas marginalizadas. Ele menciona que a realização de eventos como a Batalha Coroa de Ouro, que levaram a cultura hip-hop ao Teatro, foram passos importantes para a inclusão de novas vozes na cena cultural da cidade.
Transformando Percepções e Expandindo Horizontes
O festival busca não só a celebração, mas também a desconstrução de estigmas associados à cultura ballroom. De acordo com Naan, a cultura ainda precisa alcançar pessoas fora da cena. A proposta é que a ballroom se apresente como um espaço político que vai além da dança, enfatizando a importância da compreensão da comunidade e das casas que formam este movimento.
As balls, conforme observa Tiago, são mais do que simples competições de dança; elas são momentos de resistência e acolhimento para a comunidade LGBTQIA+. Ele acredita que é essencial ampliar a participação da cena nos circuitos culturais locais, permitindo que mais pessoas tenham acesso a essa forma de arte e resistência.
A Grande Celebração e o After Party
Para participar do evento, os interessados devem retirar ingressos gratuitos por meio da plataforma Sympla, sendo que os lugares são limitados. O after party acontecerá no Baile da Maudita #007, com Scof Savage a partir das 22h no Espaço Elias, prometendo uma noite de celebração e arte.
Tiago finaliza ressaltando a necessidade de uma união na cena cultural de Londrina, convocando produtores, público e coletivos para fortalecer iniciativas que visam dar visibilidade às culturas marginalizadas. O evento no Ouro Verde representa um marco importante na luta por reconhecimento e inclusão, e um passo fundamental para a construção de uma cidade mais plural.


