Banqueiro Detalha Relações com Políticos
O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, se manifestou à Polícia Federal ao afirmar que não utilizou influência política em suas operações financeiras, negando ter recorrido a relações com autoridades para obter vantagens. Contudo, o banqueiro, que é alvo de investigações, mantém conexões significativas com líderes do centrão e já contratou consultores associados ao PT e ao MDB.
O depoimento de Vorcaro ocorreu em 30 de dezembro do último ano, no Supremo Tribunal Federal (STF), durante investigações relacionadas a possíveis irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo banco BRB, localizado em Brasília. De acordo com o banqueiro, seus contatos com autoridades e políticos são de natureza institucional ou se restringem a amizades pessoais, e ele contestou reportagens que sugeriram uma influência política nas operações financeiras do banco.
Como justificativa, Vorcaro argumentou que sua própria situação jurídica comprova que não houve facilitação em suas negociações. Ele pontuou que, se realmente tivesse contado com a ajuda de políticos, a operação envolvendo o Banco BRB não teria sido negada, e ele não estaria usando tornozeleira eletrônica ou enfrentando detenção, embora tenha sido liberado poucos dias após sua prisão.
Relações com Politicos e Consultores
Além do seu papel no setor financeiro, Vorcaro promoveu festas luxuosas e financiou eventos que o aproximaram de figuras políticas proeminentes, como o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, e Antonio Rueda, presidente do União Brasil. Importantes nomes do judiciário, como o ministro Alexandre de Moraes, também estão entre as conexões do banqueiro, conforme reportagens anteriores revelaram.
O Banco Master também contratou consultores influentes, como Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, e Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda durante governos do PT. Mantega, inclusive, facilitou um encontro entre Vorcaro e o presidente Lula.
A negociação envolvendo o BRB também está imersa em um contexto político. O ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, tinha uma relação próxima com Ciro Nogueira, enquanto a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, filiada ao PP, está em busca do apoio do União Brasil para as eleições de 2026.
Negativa de Influência Política
Quando perguntado pela Polícia Federal sobre frequentadores de sua residência, Vorcaro afirmou ter amigos em diferentes esferas de poder, mas se esquivou de citar nomes específicos. Ele ressaltou que essas amizades não têm relação com os eventos que envolvem a negociação do BRB.
“Não consigo nomear quem frequentava a minha casa. Também não vejo conexão com o caso”, afirmou o banqueiro. Ele negou ter solicitado intervenção política, seja de ministros ou parlamentares, junto ao Banco Central ou ao BRB, tanto para a compra do Banco Master quanto para a continuidade de cessões de carteiras.
Entretanto, ele admitiu ter se encontrado com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em algumas ocasiões limitadas, discutindo a venda da companhia ao BRB. “Ele já foi à minha casa, se não me engano, uma vez. Nós nos encontramos algumas vezes para conversas institucionais, sempre na presença de outras pessoas”, completou Vorcaro.
Investigações em Andamento
Vorcaro também afirmou que ele e o Banco Master não realizaram doações ou contribuições eleitorais a partidos políticos com vínculos com autoridades do Distrito Federal entre 2022 e 2025. Ele mencionou que o banco patrocinou apenas eventos de debate institucional, que poderiam incluir autoridades públicas, mas sem a intenção de favorecer qualquer político.
As investigações, que incluíram mandados de busca e apreensão em novembro, visam esclarecer se houve pressões políticas para que o BRB adquirisse o controle do Banco Master e carteiras de crédito fraudulentas. Fontes que acompanham o caso indicam que Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, poderia estar ciente da falsidade das carteiras de crédito consignado do Master, mas ainda assim teria autorizado a compra estimada em R$ 12,2 bilhões.
O fluxo de recursos, considerado sem justificativa, teria se iniciado antes do anúncio da compra do Master pelo BRB, em março, e continuado até maio. Desse total, aproximadamente R$ 6,7 bilhões seriam referentes a contratos falsificados, enquanto R$ 5,5 bilhões representariam prêmios associados a esses contratos.
A investigação sugere que é improvável que a presidência do BRB desconhecesse uma manobra com características fraudulentas. Além disso, rejeita a alegação de boa-fé, considerando que a aquisição de carteiras de crédito falsas ocorreu mesmo após a confirmação de compra de 58% do Banco Master.


