Paciente Clama por Respeito na UPA de Ribeirão Preto
Um jovem de 23 anos, diagnosticado com HIV, fez um apelo para que os profissionais de saúde tratem os pacientes com mais respeito e privacidade, especialmente durante a comunicação de diagnósticos em unidades de saúde. A denúncia surgiu após uma experiência constrangedora que o jovem viveu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Oeste, em Ribeirão Preto, SP.
De acordo com ele, a falta de privacidade no atendimento é uma situação recorrente na rede de saúde municipal. “Precisamos de respeito e privacidade. Ao visitar uma UPA, raramente o atendimento ocorre em total sigilo, e o diagnóstico pode ser ouvido por todos ao redor. Acredito que é necessário um esforço da prefeitura e da Secretaria de Saúde para melhorar essa situação”, explicou.
O secretário municipal de Saúde, Maurício Godinho, reforçou que todos os colaboradores das unidades de saúde são submetidos a treinamento para garantir a observância das normas de sigilo e respeito nos atendimentos.

O jovem, que optou por não se identificar, relatou que sua experiência na UPA começou quando ele procurou atendimento devido a uma relação sexual que poderia ter levado à transmissão do vírus. Ele buscava a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), um tratamento de urgência oferecido pelo SUS para prevenir infecções por HIV, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis.
A PEP precisa ser iniciada em até 72 horas após a exposição ao vírus e, idealmente, nas primeiras duas horas, seguindo um tratamento de 28 dias. O procedimento é gratuito e sigiloso, disponível em serviços de emergência.
Após realizar um exame, o jovem recebeu o resultado positivo para HIV de maneira pública, sendo informado em alta voz por uma médica e uma enfermeira, sem qualquer consideração pelo ambiente e pela presença de outros pacientes.
“Não houve acolhimento. A médica simplesmente disse que eu não era elegível para a PEP, sem se preocupar em como estava lidando com a situação”, desabafou. O diagnóstico foi revelado na frente de sua sobrinha, que o acompanhava, o que intensificou ainda mais o constrangimento.
O jovem lembrou que a revelação do diagnóstico trouxe um grande impacto emocional. “Além do susto inicial, fui tomado pelo constrangimento. As pessoas estavam olhando, comentando. Eu não tinha forças para me levantar e saí chorando da unidade”, relatou.
Denúncia e Consequências
O caso, denunciado no início de março, levantou questões sobre a falta de respeito no atendimento. O jovem mencionou que foi tratado de forma ríspida, especialmente ao reclamar da demora no atendimento, que já se estendia por horas. “Quando a enfermeira perguntou se eu era gay, a forma como isso foi dito parecia desdenhosa”, contou.
Após a denúncia, a enfermeira envolvida foi afastada de suas funções pela Secretaria de Saúde, e a médica, que trabalhava terceirizada pela Fundação Lydia, teve seu contrato encerrado. A situação está sendo apurada pela Polícia Civil, que investiga as alegações de injúria racial, equiparada a um crime de homofobia, e a violação do sigilo médico.
O secretário Maurício Godinho destacou que, se a conduta dos profissionais for confirmada, a situação será encaminhada para os conselhos de classe, que podem tomar medidas éticas. “Se houver comprovação da infração, eles poderiam enfrentar um processo profissional-ético, resultando em um desligamento definitivo”, afirmou.
Essa situação ressalta a importância de um atendimento respeitoso e sigiloso nas unidades de saúde. A dignidade dos pacientes deve ser sempre uma prioridade, especialmente quando se trata de diagnósticos sensíveis como o HIV.


