Reflexões sobre a Situação Educacional em São Paulo
A época de volta às aulas traz à tona importantes questões sobre a cobertura da educação, conforme destacado por um leitor. Um dos principais pontos levantados diz respeito ao novo processo de atribuição de classes aos professores do estado de São Paulo. Este processo, que passou por modificações, gerou uma série de questionamentos, embora tenha demorado a ser noticiado pela Folha de S.Paulo.
O secretário de Educação, Renato Feder, concedeu uma entrevista ao Metrópoles, onde explicou as novas diretrizes. Agora, os diretores de escolas têm a possibilidade de vetar a escolha de professores, uma mudança que já levantou preocupações. O site de notícias também informou sobre uma decisão judicial que suspendeu parcialmente essas medidas, revelando a controvérsia em torno do assunto.
Recentemente, a Folha mencionou a angústia de pais de alunos com deficiência em relação a essa nova realidade. Porém, o problema é bem mais abrangente. A rede de ensino paulista é composta por cerca de 200 mil docentes e mais de 3 milhões de estudantes, o que torna a questão ainda mais crítica.
José Ailton da Silva, de Assis, expressou sua preocupação em uma carta à redação, afirmando que a atribuição das aulas está deixando muitos professores efetivos, adidos e temporários sem carga horária. Ele destacou a redução das disciplinas de humanas, o fechamento de salas de aula e as mudanças nas diretrizes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) como temas que precisam de mais atenção na cobertura jornalística.
Em resposta, Fábio Haddad, editor de Cotidiano da Folha, agradeceu pelo feedback e salientou que a cobertura sobre políticas educacionais em São Paulo é ampla. Ele abordou temas como a falta de recursos para reformas, a progressão de professores, alterações nas cargas horárias e disciplinas, falhas na avaliação docente, e a reorganização das escolas. A EJA já foi alvo de reportagens, mas ele reconheceu que o campo é vasto e multifacetado, sendo as observações dos leitores sempre válidas para a análise interna da equipe.
Reajuste do Piso Nacional e Impacto na Classe Docente
Outro leitor se manifestou a respeito do recente reajuste do piso nacional para professores, que foi revisado pelo governo federal. Embora o jornal tenha destacado a questão política, a percepção é de que a cobertura ainda parece distante da realidade vivida por quem está diretamente impactado.
Luiz Bardal, um advogado e engenheiro residente em São Paulo, expressou sua indignação com o anúncio de um reajuste de apenas R$ 18,00. Segundo ele, este valor é irrisório e não reflete a dignidade que se espera para uma categoria tão fundamental. “Exijo, como cidadão e fruto dessa mesma educação, que o respeito volte à pauta”, declarou.
A complexidade da situação é notável. Em setembro, a Folha revelou que nenhum estado do Brasil garante o piso nacional aos professores temporários, e que entre 2017 e 2023 houve um aumento de 42% na contratação desses profissionais. Isso demonstra a necessidade urgente de um debate mais aprofundado sobre a educação pública no país.
Um professor anônimo também questionou como a Redação da Folha poderia contribuir para essa discussão. Ele levantou um ponto importante: quantos jornalistas que escrevem sobre educação vêm de escolas públicas? Essa realidade pode influenciar a forma como os temas são abordados e discutidos na mídia.
Embora haja políticas de diversidade e inclusão que tenham apresentado alguma melhoria nos índices, a maioria dos profissionais da redação da Folha provém de instituições privadas, refletindo um padrão encontrado na sociedade brasileira, onde as classes médias e altas dominam. Isso também se reflete na experiência parental, que tende a reproduzir esse padrão.
Desafios na Cobertura da Educação Pública
O tema da educação é vasto e, frequentemente, a cobertura jornalística se depara com dificuldades. A educação compreende desde a educação infantil até a pós-graduação, englobando questões de comportamento, economia e política. Contudo, na Folha, por exemplo, a educação é tratada como uma subeditoria e não possui estrutura própria dedicada ao assunto.
Enquanto o ensino superior consegue um espaço mais destacado, as etapas anteriores enfrentam limitações de recursos e atenção. Isso resulta em uma cobertura fragmentada que, em muitos casos, não reflete as realidades da educação pública e privada, que frequentemente operam em universos distintos.
Uma cobertura mais robusta poderia favorecer uma maior aproximação com questões que afetam crianças e adolescentes, temas que estão sendo abordados nas reformulações dos produtos editoriais Folhinha e Folhateen.
Erros na Edição e Expectativas dos Leitores
No dia 29 de agosto, a Folha cometeu um erro de edição ao entregar aos assinantes da versão impressa um texto de Sérgio Rodrigues duplicado, ocupando também o espaço reservado para o colunista Maurício Stycer. Na mesma edição, o jornal incluiu um comunicado de errata, mas a situação não foi adequadamente resolvida.
O comunicado indicava aos leitores que a coluna de Stycer poderia ser lida no site, mas forneceu um endereço com letras aleatórias, o que, para muitos, foi uma experiência frustrante. A solução mais apropriada teria sido publicar o texto em outra página ou, no mínimo, informar que a coluna seria disponibilizada no dia seguinte.
Entre os leitores que se manifestaram, Ailton Tenório, de São Caetano do Sul, expressou sua decepção ao notar a repetição do conteúdo. “Pensei que fosse um assunto quente, mas acabei lendo o mesmo texto duas vezes. Ninguém percebeu isso?”, questionou.


