Desemprego e Renda em 2025: Um Panorama Positivo
O Brasil registrou, no trimestre encerrado em dezembro, uma taxa de desocupação de 5,1%, a menor já registrada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Este dado é particularmente animador, considerando que a taxa anual de desemprego também ficou em 5,6%, o que representa um recorde positivo para o país. Além disso, o número total de pessoas ocupadas alcançou a marca de 103 milhões.
O ano de 2025 também foi marcado por um aumento significativo na renda média mensal dos trabalhadores, que subiu para R$ 3.560. Este valor representa um crescimento de 5,7% (ou R$ 192) em comparação com 2024, o que reflete uma recuperação econômica notável que beneficia a população.
Outro dado que merece destaque é o número de vínculos empregatícios formais, que alcançou 38,9 milhões ao longo do ano passado. Este número representa um aumento de 1 milhão em relação ao ano anterior, evidenciando a tendência de crescimento no mercado de trabalho formal.
Desemprego por Setores e Informalidade
Os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (30) mostraram que, apesar dos avanços, a taxa de informalidade permanece alta em várias áreas do mercado de trabalho. No total, 13,8 milhões de empregados estão na iniciativa privada sem carteira assinada, uma queda de 0,8% em relação a 2024. Entre os trabalhadores domésticos, o número é de 5,7 milhões, com uma diminuição de 4,4%.
Por outro lado, o número de trabalhadores por conta própria atingiu 26,1 milhões, o que é o maior já registrado. A taxa de informalidade, embora tenha registrado uma leve queda, passando de 39% em 2024 para 38,1% em 2025, ainda é uma questão estrutural significativa do mercado brasileiro. Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa, afirma que esse percentual é um “valor relevante”, refletindo as características estruturais do mercado de trabalho no Brasil.
Adriana ainda destaca que a composição e a dinâmica da população ocupada dependem fortemente da informalidade, especialmente em setores como comércio e serviços, que têm grande participação de trabalhadores sem vínculos formais.
Metodologia da Pnad e Comparações Históricas
A Pnad realiza uma análise abrangente do mercado de trabalho, abrangendo pessoas a partir de 14 anos e considerando todas as modalidades de ocupação, tanto com quanto sem carteira assinada, além de empregos temporários e informais. Para ser considerada desocupada, uma pessoa deve ter procurado efetivamente uma vaga nos 30 dias que antecedem a pesquisa. A metodologia inclui visitas a 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.
Historicamente, a maior taxa de desocupação registrada na série histórica, que teve início em 2012, foi de 14,9%. Essa marca foi alcançada durante a pandemia de covid-19, em dois períodos distintos: nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e março de 2021.
Caged: Reflexão sobre o Mercado Formal
Os dados da Pnad frequentemente são divulgados na sequência do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que analisa apenas o cenário de empregos formais. No Caged, dezembro apresentou um saldo negativo de 618 mil vagas formais. Contudo, o consolidado de 2025 revelou um saldo positivo de quase 1,28 milhões de novos postos com carteira assinada, indicando uma recuperação gradual deste segmento.
Os resultados positivos nos indicadores de trabalho e renda apontam para um Brasil em recuperação econômica, mas também ressaltam a necessidade de estratégias para enfrentar a informalidade e garantir condições mais estáveis para todos os trabalhadores.


