Uma Nova Perspectiva sobre Diplomacia e Tecnologia
No recente episódio do podcast Business Rock, duas trajetórias bastante distintas se cruzaram na discussão de temas relevantes do cenário contemporâneo. A diplomata Paula Furfaro e o executivo de tecnologia Fábio Santana abordaram assuntos como diplomacia, diversidade cultural, inovação e empreendedorismo. O mediador Sandro Ari, conhecido por sua atuação na cobertura de negócios e relações internacionais, conduziu as conversas, que trouxeram à tona a importância de unir experiências variadas para gerar reflexões práticas sobre desenvolvimento econômico e relações humanas em um mundo globalizado.
A Diplomacia Além da Política Tradicional
A entrevistada Paula Furfaro, a única brasileira a representar oficialmente um país do Pacífico, compartilhou suas experiências e os desafios que enfrentou ao tentar aproximar o Brasil das Ilhas Marshall. Furfaro enfatizou sua abordagem focada na escuta ativa e no respeito às culturas locais, ressaltando que sua motivação para entrar na diplomacia foi o desejo de provocar mudanças, mesmo que em pequena escala. “Sempre tive uma inclinação para liderança, mas foi a vontade de transformar realidades que me levou à diplomacia”, relatou. Durante sua vivência no Pacífico, ela aprendeu que ouvir mais e falar menos pode ser uma poderosa ferramenta para fortalecer as relações internacionais e comerciais.
Sandro Ari destacou a importância da experiência de Furfaro ao ligar a diplomacia com o universo corporativo, afirmando que “a diplomacia discutida aqui transcende a política institucional, envolvendo também cultura, comportamento e oportunidades de negócios reais”.
As Ilhas Marshall: Uma Joia Estratégica no Comércio Global
Com uma população de cerca de 60 mil habitantes, as Ilhas Marshall se posicionam como um ponto estratégico na geopolítica mundial. Estão associadas aos Estados Unidos e abrigam uma base militar importante para lançamentos de satélites, além de desempenharem um papel crucial no comércio marítimo internacional. Dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) mostram que a Libéria, o Panamá e as Ilhas Marshall estão entre as nações com os maiores registros de bandeira do mundo, respondendo juntas por uma parte significativa da capacidade global de transporte marítimo.
No setor pesqueiro, o arquipélago também se destaca. O Relatório Anual 2025 do Marine Stewardship Council indica que cerca de 50% do atum consumido mundialmente passa pela região, que busca ampliar suas certificações de sustentabilidade para atender às demandas dos mercados europeu e asiático. Furfaro observou que “há espaço para empresas brasileiras atuarem em áreas como infraestrutura, logística portuária, saúde e serviços para embarcações”.
A Diplomacia Brasileira em um Contexto Global Complexo
Como reportado pelo G1, o cenário internacional atual ressalta a necessidade de uma diplomacia diversificada para o Brasil. Em 2025, o país esteve no centro de importantes discussões globais, como a COP30 e a cúpula dos Brics, ampliando seu espaço em temas relacionados ao clima, comércio e segurança internacional. Nesse contexto, Ari observou que a atuação de brasileiros em cargos estratégicos fora do Itamaraty é cada vez mais relevante. “Ter uma brasileira representando um país do Pacífico demonstra que a diplomacia contemporânea é construída por trajetórias individuais que impactam as relações internacionais”, destacou.
Cultura e Negócios: O Diálogo Inter-religioso como Estratégia
No decorrer da entrevista, Furfaro salientou como o diálogo inter-religioso pode ser fundamental nas relações comerciais globais. Para ela, entender a influência da religião e da cultura nos hábitos e decisões é um componente essencial da inteligência cultural no mundo dos negócios. “Até quem não pratica uma religião carrega referências culturais que impactam seu dia a dia. Compreender isso evita mal-entendidos e fortalece parcerias”, explicou, citando sua própria família, composta por indivíduos de diferentes crenças.
Empreendedorismo e Inovação: Uma Abordagem Pragmática
A visão apresentada pela diplomata encontra paralelo na trajetória de Fábio Santana, vice-presidente da SkyOne Fintech e CEO da Faitec Tecnologia, que também foi entrevistado no Business Rock. Desde cedo, Santana adotou uma postura empreendedora focada na identificação das reais necessidades dos clientes. “Não adianta oferecer soluções sem entender a dor do cliente”, afirmou. Ao longo da sua carreira, ele enfrentou desafios como a intensa concorrência e as constantes mudanças do mercado tecnológico, experiências que moldaram sua visão sobre liderança e inovação.
Atualmente, Santana se concentra em soluções de nuvem e cibersegurança, priorizando a confiabilidade e a proteção dos dados dos clientes. “Nosso papel envolve garantir a tranquilidade do cliente, para que ele possa se concentrar no crescimento de seu negócio”, resumiu.
Aprendizados Comuns em Perspectivas Distintas
As entrevistas realizadas no Business Rock evidenciam um ponto comum nas abordagens da diplomacia e da tecnologia: a importância de entender pessoas, culturas e contextos em um mundo cada vez mais interconectado. Em um cenário onde discursos ideológicos extremos muitas vezes dominam, o diálogo, a escuta ativa e a inteligência cultural emergem como ferramentas essenciais para o crescimento sustentável das empresas e para relações internacionais mais harmoniosas—temas que merecem destaque no debate atual, tanto no espaço público quanto no ambiente corporativo.


