Moradores enfrentam desafios no atendimento do Disque Saúde 160
Pacientes da rede municipal de saúde de Campinas (SP) expressam sua insatisfação em relação ao serviço de atendimento telefônico pelo número 160. Longas filas de espera e quedas nas ligações têm gerado descontentamento, dificultando o acesso a informações e agendamentos de consultas e exames, que são essenciais no Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço, que não permite atendimento presencial, também pode ser acessado por meio de um chatbot, mas muitos usuários ainda preferem a ligação direta.
Com a média de atendimento projetada entre 5 a 8 minutos, conforme informações disponíveis no site da Prefeitura, a realidade vivida pelos pacientes é bem diferente. A reclamação é unânime: horas de espera e tentativas frustradas, com muitos relatos de pessoas que chegaram a fazer dezenas de chamadas sem sucesso.
Maria Noémia Pimenta, aposentada e residente em Campinas, destaca a frustração que sente ao tentar utilizar um serviço que deveria ser um direito seu. “É uma falta de respeito com a saúde da população. Eu paguei impostos durante 44 anos, e tenho o direito de ser atendida”, desabafa.
A dificuldade em marcar consultas
Ana Cibele, outra paciente, tenta agendar consultas desde o dia 25 de agosto. De acordo com ela, que dedicou horas das 7h às 16h na busca por atendimento, após mais de 15 ligações, não conseguiu realizar as marcações necessárias. “É um absurdo. O que deveria facilitar, piorou. Ninguém atende, e ficamos à mercê da sorte. Espero horas na fila e, quando finalmente parece que alguém vai me atender, a ligação cai!”, desabafa Ana, que se sentiu obrigada a buscar atendimento presencial na Policlínica, mas também sem sucesso.
A situação se repete com José Peres, tio de Ana, que após 80 tentativas de ligação não conseguiu obter a receita de um medicamento essencial. “Comecei a ligar às 7h, como dizem que o atendimento inicia nesse horário. A ligação caía repetidamente, e em algumas tentativas, aguardei mais de 30 minutos só para que, no final, acabasse desconectada”, relata.
A resposta da prefeitura e da Secretaria de Saúde
A Prefeitura de Campinas informou em nota que o serviço está passando por uma transição para o novo sistema Siresp Digital, o que tem gerado atrasos no atendimento. A previsão é de que a situação se normalize nas próximas semanas. Somente no dia 25 de agosto, foram registradas cerca de 2 mil chamadas, um número significativamente superior à média diária de 1,3 mil a 1,5 mil atendimentos. Isso indica uma alta demanda que, inclusive, está sobrecarregando o sistema.
A Secretaria Municipal de Saúde esclareceu que existe uma limitação no número de agendamentos por chamada, devido a casos em que uma mesma pessoa tentava realizar agendamentos para múltiplos pacientes, o que complicava ainda mais a fila de espera. Além disso, os problemas com ligações não completadas estão sendo levados à Informática de Municípios Associados (IMA), que assegurou a disponibilidade de atendentes para atender essa demanda emergencial.
Os pacientes são lembrados que também é possível acessar parte dos serviços do Disque Saúde por meio de um chat, o que poderia, em tese, aliviar um pouco a pressão sobre as ligações telefônicas. Quanto à tarifação das chamadas, a Secretaria reiterou que os números disponíveis para atendimento não são considerados serviços gratuitos, exceto em algumas situações específicas, como para emergências.
Expectativas dos pacientes
Os relatos de dificuldades no atendimento pelo Disque Saúde 160 em Campinas revelam um problema que afeta diretamente a saúde e o bem-estar da população. A expectativa é que, com a implementação do Siresp Digital, o atendimento se torne mais eficiente e as filas diminuam, permitindo que todos tenham acesso aos serviços de saúde de que precisam de maneira adequada.


