Desafios da Educação no Paquistão
O Paquistão é frequentemente caracterizado como uma nação marcada por crises, incluindo inflação, desemprego e incertezas políticas. No entanto, por trás desses problemas evidentes, há uma questão mais profunda: a contínua erosão da confiança na educação como uma promessa de futuro. Não escrevo como um político, mas como um cidadão comum, que seguiu o caminho indicado pelo Estado: estudar com afinco, conquistar um diploma de pós-graduação e acreditar que a educação traria dignidade e segurança. Hoje, como muitos outros, me pergunto: onde foi que erramos realmente? Será que a educação falhou ou foi um erro confiar em um sistema que não correspondeu às nossas expectativas?
Graduados sem Destino
A cada ano, o Paquistão forma centenas de milhares de universitários, mas a economia do país se mostra incapaz de absorver essa mão de obra qualificada. O desemprego entre os jovens educados supera as médias nacionais, enquanto se amplia a distância entre o desempenho acadêmico e as oportunidades de trabalho disponíveis. O emprego público, antes considerado sinônimo de estabilidade e respeito, tem se tornado cada vez mais escasso, com posições permanentes sendo substituídas por contratos temporários, que não garantem segurança ou dignidade profissional. No setor privado, a situação também não é favorável. Os graduados enfrentam processos de seleção humilhantes e, mesmo assim, são recompensados com salários que mal cobrem suas necessidades básicas. Valores de 20.000 a 25.000 PKR por mês para indivíduos altamente qualificados tornaram-se comuns, configurando um cenário de exploração silenciosa.
A Comercialização da Educação
O conceito de educação, que deveria ser uma responsabilidade do Estado, foi progressivamente transformado em um negócio. A explosão de escolas e universidades privadas fez com que a educação de qualidade se tornasse inacessível para muitas famílias de classes média e baixa. Pais, na esperança de garantir um futuro melhor para os filhos, investem suas economias na educação, apenas para verem seus filhos retornarem para casa sem emprego. Quando os graduados não conseguem se inserir no mercado de trabalho, a reflexão sobre o sistema educacional é praticamente inexistente; a culpa é transferida para os indivíduos, que supostamente escolheram o curso errado ou não se esforçaram o suficiente. O sistema se recusa a reconhecer suas próprias falhas.
Silêncio como Estratégia de Sobrevivência
Um aspecto alarmante dessa crise é o silêncio que permeia a sociedade. As pessoas não pararam de falar porque as condições melhoraram, mas porque se tornaram inseguras ao fazê-lo. Questionar as prioridades econômicas ou decisões governamentais é frequentemente visto como um ato de deslealdade, ao invés de um envolvimento cívico. Portanto, o silêncio não é apatia, mas uma estratégia de sobrevivência. Aqueles com recursos financeiros são os primeiros a deixar o país, precipitando uma já preocupante fuga de cérebros. Já aqueles que não têm essa possibilidade permanecem, presos entre o desemprego e a perda de dignidade, recebendo como único conselho a paciência, como se isso pudesse restaurar a autoestima ou ajudar a pagar as contas.
Desenvolvimento sem Inclusão
No Paquistão, o progresso é frequentemente medido por meio de grandes projetos de infraestrutura, como autoestradas e sistemas de transporte. No entanto, o desenvolvimento que ignora o bem-estar humano é, em última análise, uma conquista vazia. Que sentido faz uma estrada para uma família que não tem segurança alimentar? Qual o valor de um transporte acessível para aqueles que não podem pagar a passagem? O que as pessoas realmente desejam é emprego, justiça e a liberdade de se expressar sem medo. Um Estado que prioriza projetos visíveis em detrimento das necessidades invisíveis da população arrisca confundir movimento com progresso.
Reformando o Contrato Social
Essa crise não é acidental, mas resultado de escolhas políticas que exigem reforma. É fundamental que a educação esteja estreitamente conectada ao mercado de trabalho, por meio de parcerias entre instituições acadêmicas e o setor privado, além de investimento em pesquisa e programas de formação remunerados. A implementação rigorosa das leis trabalhistas é essencial para proteger os jovens profissionais da exploração. O recrutamento no setor público deve ser transparente e meritocrático. Mais importante ainda, o Estado precisa proporcionar um ambiente onde a dissidência seja aceita como um aspecto vital da democracia.
Uma Questão Sem Resposta
Os jovens educados não buscam privilégios, mas sim oportunidades justas, dignidade e um futuro que justifique suas aspirações. Este artigo não busca ser um manifesto, mas uma pergunta silenciosa, mas urgente, de uma geração que ainda quer acreditar. Se a educação já não garante segurança e se o trabalho árduo não é mais respeitado, que futuro resta para aqueles que escolhem ficar?


