A trajetória de Musk no setor educacional
Desde 2023, Elon Musk tem se dedicado a um projeto audacioso: criar uma escola de ensino fundamental em Bastrop, Texas, localizada a poucos minutos de algumas de suas empresas, incluindo a SpaceX. A escola, nomeada Ad Astra, que em latim significa ‘às estrelas’, foi idealizada para transformar a educação de crianças. Musk adquiriu quase 20 acres de terra e designou dois de seus principais assessores para dar início ao projeto. Professores foram recrutados de várias partes do país e uma grande demanda foi registrada quando a escola abriu inscrições para cerca de 50 alunos, atraindo milhares de candidatos.
Judah Ross, um corretor imobiliário local, expressou seu entusiasmo ao inscrever seu filho de 3 anos na escola, afirmando que “todo mundo quer que seu filho seja como Elon Musk”. No entanto, a realidade da Ad Astra atualmente se mostra bem diferente do sonho inicial de uma instituição de ensino fundamental. Em vez de funcionar como uma escola tradicional, a Ad Astra foi reclassificada como um “programa licenciado de cuidado infantil”, atendendo apenas cerca de 10 crianças com menos de 5 anos, segundo registros da Comissão de Saúde e Serviços Humanos do Texas.
Desafios de transformar um sonho em realidade
Os documentos revelam que a escola serve lanches simples, como biscoitos de farinha integral e maçãs, e proporciona horários de soneca com colchonetes personalizados para cada criança. Uma avaliação recente indicou que a operação não está atendendo crianças em idade escolar, o que contrasta com as intenções iniciais de Musk de revolucionar a educação. O investimento de mais de US$ 600 milhões por parte de Musk reflete suas ambições, que, até o momento, não se concretizaram como esperado.
O empresário, que é pai de 14 filhos, iniciou seus esforços educacionais em 2021 com a intenção de criar escolas de ensino fundamental, um colégio e uma universidade. Apesar de ter conseguido estabelecer três escolas, duas delas enfrentaram fechamento ou foram reduzidas, enquanto a terceira teve que migrar para um formato online. Além disso, a ambicionada universidade parece não ter avançado.
O olhar crítico de especialistas
A experiência de Musk ilustra como bilionários frequentemente subestimam as dificuldades associadas à criação de instituições educacionais. Larry Cuban, professor emérito de educação da Universidade Stanford, comentou que muitos desses investidores acreditam compreender os intricados aspectos do ensino simplesmente por terem estado na posição de alunos. “Eles acham que entendem tudo sobre o que é ensinar e o que é a escolarização porque passaram por isso eles mesmos”, afirmou Cuban.
Embora a Ad Astra ainda possa crescer e evoluir, a trajetória da escola até agora sugere que Musk pode ter subestimado os desafios do setor educativo. O bilionário, que também esteve envolvido em projetos de inteligência artificial, não comentou sobre a situação atual da Ad Astra.
Histórico de tentativas educacionais
A primeira versão da Ad Astra foi inaugurada em 2014, localizada na sede da SpaceX, em Hawthorne, Califórnia. Com aproximadamente 50 estudantes, a escola foi dirigida em parte a filhos de funcionários da SpaceX. Na época, Musk decidiu retirar seus cinco filhos de uma escola particular para matriculá-los na nova instituição. Porém, durante a pandemia, a escola foi transferida para um formato virtual e posteriormente seu controle foi repassado a uma instituição de caridade, conforme relatórios fiscais.
Em 2021, Musk fez brincadeiras sobre a possibilidade de fundar uma universidade, mas também fundou uma organização sem fins lucrativos, a Foundation, com o intuito de estabelecer uma escola primária, um colégio e uma universidade. Ele doou US$ 100 milhões para a causa, buscando criar instituições que enfatizassem a educação em STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática).
O futuro da Ad Astra e seus planos educacionais
Enquanto isso, os documentos mais recentes da Foundation não mencionam mais planos para uma universidade. A atenção de Musk se voltou para a nova Ad Astra no Texas, onde a escola havia projetado oferecer um currículo baseado no modelo Montessori, com foco em abordagens educacionais flexíveis e centradas na criança. O projeto original contemplava atender até 54 alunos com uma equipe de professores dedicados.
No entanto, a nova Ad Astra enfrentou desafios significativos, como a necessidade de reenviar pedidos de licença para operar como programa de cuidado infantil e lidar com documentação de funcionários que não possuíam as qualificações necessárias. Reuniões informativas foram realizadas no formato virtual para apresentar os planos da escola às famílias interessadas, revelando um grande interesse da comunidade. A mensalidade foi estipulada em cerca de US$ 1.000, e o ambiente educacional seria enriquecido com atividades ao ar livre, envolvendo cuidados com animais, como cavalos e galinhas.
A Ad Astra, conforme relatado, atraiu a atenção de famílias de todo o país, com muitos pais dispostos a se mudar para Bastrop na esperança de matricular seus filhos. O administrador da escola, Greg Marick, expressou ter ficado impressionado com o interesse da comunidade, enfatizando a busca por formar a próxima geração de solucionadores de problemas e construtores. A trajetória da Ad Astra, embora repleta de desafios, continua a ser acompanhada com interesse, à medida que muitos aguardam para ver se o sonho educacional de Musk finalmente se tornará realidade.


