Investimento Crucial para a Sustentabilidade dos Correios
Os Correios firmaram, na última sexta-feira (26), um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco instituições financeiras, que incluem a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Este acordo, que é válido até dezembro de 2040, visa garantir a capitalização necessária para o capital de giro e o financiamento de investimentos estratégicos da empresa estatal.
De acordo com a estatal, a estruturação da operação envolveu três instituições privadas e duas públicas, respeitando o limite de juros estabelecido pelo Tesouro Nacional, que define um teto de até 120% do CDI para financiamentos cuja garantia seja a União.
Vale destacar que o Tesouro já havia autorizado uma operação de crédito semelhante, no valor de até R$ 12 bilhões, com taxa de juros fixada em 115% do custo de captação. Todavia, a estatal só poderá acessar R$ 5,8 bilhões em 2025, valor que corresponde ao déficit primário projetado para o ano.
Desafios Financeiros e Prejuízos Crescentes
No primeiro semestre de 2025, os Correios registraram um prejuízo de R$ 4,3 bilhões, um número que representa três vezes o déficit do mesmo período do ano anterior, quando o resultado foi de R$ 1,3 bilhão no vermelho. Como resposta a esta situação desafiadora, a empresa apresentou um plano de reestruturação focado em garantir sua estabilidade nos próximos 12 meses.
Entre as iniciativas previstas estão um programa de demissão voluntária, a reavaliação dos planos de saúde para os funcionários que permanecerem na empresa e a venda de imóveis que não estão sendo utilizados. Essas ações visam não apenas cortar custos, mas também reestruturar a operação para melhorar a sustentabilidade da estatal a longo prazo.
Conflitos Trabalhistas e Medidas Judiciais
Enquanto os Correios tentam implementar essas medidas financeiras, a empresa enfrenta impasses no âmbito trabalhista. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) agendou uma sessão extraordinária para a próxima terça-feira (30), com o intuito de julgar o dissídio coletivo entre os Correios e seus funcionários. Antes da análise formal, uma nova rodada de negociações ocorrerá na segunda-feira (29), às 14h, buscando evitar que o caso seja encaminhado à Seção de Dissídios Coletivos.
As deliberações foram tomadas mesmo durante o recesso do Judiciário. O presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, ressaltou a importância da decisão em meio à crescente demanda de serviços dos Correios, especialmente no período de festas de fim de ano. O ministro também emitiu uma decisão liminar que determina a manutenção de, pelo menos, 80% do efetivo da estatal em atividade em todo o Brasil. O descumprimento dessa medida poderá acarretar uma multa diária de R$ 100 mil.


