Avanços Significativos na Saúde Pública
Na última quarta-feira (11), o projeto que cria o Estatuto dos Direitos do Paciente foi aprovado pelo Plenário e agora segue para sanção presidencial. O PL 2.242/2022, originado na Câmara dos Deputados, estabelece um importante marco legal que versa sobre os direitos e responsabilidades dos pacientes no contato com os serviços de saúde, sejam eles públicos ou privados.
Elaborado pelos deputados Pepe Vargas (PT-RS), Chico D’Angelo (PDT-RJ) e Henrique Fontana (PT-RS), o estatuto tem como objetivo garantir não apenas o respeito e a autonomia dos pacientes, mas também oferecer proteção legal e assegurar a qualidade dos serviços prestados. Além disso, o projeto introduz mecanismos de fiscalização e cumprimento que devem ser observados pelo poder público. A continuidade do processo foi assegurada na votação dos senadores, que aprovaram a proposta conforme o relatório do senador Humberto Costa (PT-PE), previamente analisado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
Direitos Fundamentais dos Pacientes
O cerne do Estatuto é a seção dedicada aos direitos dos pacientes, que contém garantias importantes. Entre elas, destaca-se o direito à informação clara e acessível sobre os tratamentos propostos, à participação ativa nas decisões a respeito de sua saúde, ao consentimento informado e ao direito de recusar procedimentos médicos. Também são assegurados direitos como a privacidade e a confidencialidade das informações, a obtenção de segunda opinião médica, o acesso a cuidados paliativos e o respeito às diretivas antecipadas de vontade, que permitem que o paciente expresse suas escolhas sobre cuidados e tratamentos futuros.
Contudo, o projeto também reconhece que os pacientes possuem deveres essenciais para o bom funcionamento do atendimento em saúde. É fundamental que eles forneçam informações precisas sobre seu estado clínico, incluindo doenças pré-existentes, medicações em uso e histórico de internações. Além disso, é imprescindível que respeitem os direitos de outros usuários e dos profissionais de saúde envolvidos no atendimento.
Mecanismos de Controle e Responsabilidade
Para assegurar que as disposições do Estatuto sejam devidamente respeitadas, o projeto prevê a implementação de mecanismos de controle e monitoramento por parte do Estado. Humberto Costa, relator da matéria, sugeriu ajustes na redação do texto para alinhá-lo com as normas legislativas contemporâneas, incluindo uma linguagem inclusiva. Ele também propôs a extensão da responsabilidade pelo compartilhamento de informações clínicas para a pessoa designada pelo paciente, caso este não possa fazê-lo.
De acordo com o relator, a proposta é um passo em direção a um atendimento em saúde mais humano, transparente e democrático, centrando-se na dignidade, autonomia e participação do paciente nas decisões sobre seu próprio cuidado. O Estatuto ainda contribui para a construção de uma cultura de corresponsabilidade entre profissionais, instituições, pacientes e seus familiares, como defende Humberto Costa.
Importância da Legislação para os Pacientes
Durante a discussão do projeto, o senador enfatizou a relevância de estabelecer legalmente um conjunto claro de garantias para os pacientes, reforçando assim a “dimensão humana” do cuidado em saúde. Ele comentou ainda que, se o Estatuto já estivesse em vigor, muitos episódios lamentáveis poderiam ter sido evitados. Uma referência direta foi feita a um recente caso em Brasília, onde diversas pessoas perderam a vida devido à negligência de profissionais de saúde considerados inadequados para o exercício da profissão.
Esse avanço legislativo representa uma vitória significativa para a saúde pública no Brasil, garantindo que os direitos dos pacientes sejam respeitados e promovendo um ambiente de cuidado mais seguro e acolhedor. Os próximos passos agora dependem da sanção presidencial, que poderá viabilizar a implementação deste importante Estatuto.


